frio pode aumentar em até 30% o risco de infarto e 20% de AVC

Não é só gripe: frio pode aumentar em até 30% o risco de infarto e 20% de AVC

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A chegada das baixas temperaturas traz um alerta que vai muito além das gripes e resfriados: o perigo real para a saúde do coração. De acordo com dados oficiais do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), as ocorrências de infarto agudo do miocárdio crescem até 30% durante os meses mais frios do ano, enquanto os episódios de Acidente Vascular Cerebral (AVC) registram uma alta de até 20%.

O principal vilão por trás desse fenômeno é a vasoconstrição, um mecanismo biológico natural em que os vasos sanguíneos se contraem para reter o calor corporal.

“Esse processo eleva a pressão arterial e exige que o músculo cardíaco faça um esforço muito maior para bombear o sangue”, explica a cardiologista Dra. Beatriz Zamuner, médica do Hospital Evangélico de Sorocaba (HES).

Segundo a especialista, a vasoconstrição sobrecarrega o sistema cardiovascular, tornando o organismo altamente vulnerável. O cenário propicia a descompensação de quadros de insuficiência cardíaca e arritmias, além de elevar a incidência de patologias graves como:

  • Tromboembolismo;

  • Miocardites;

  • Pericardites.

Fatores de risco: por que o inverno é um gatilho cardiovascular?

A mudança fisiológica provocada pelo clima frio é agravada por uma alteração comportamental comum na estação. No inverno, o sedentarismo tende a aumentar, acompanhado pelo ganho de peso, maior ingestão de bebidas alcoólicas e consumo de alimentos ricos em gorduras e calorias — fatores que desregulam o colesterol e a pressão arterial.

Outro estopim crítico são as infecções respiratórias, como pneumonias e influenzas (gripe), cuja circulação é maior nesta época.

“Essas infecções geram uma resposta inflamatória severa no organismo. Em pacientes que já possuem predisposição ou doenças cardíacas preexistentes, essa inflamação pode desestabilizar placas de gordura nas artérias, provocando o rompimento delas e desencadeando um infarto ou AVC”, alerta a Dra. Beatriz Zamuner.

A médica faz um apelo importante: mesmo quem nunca teve diagnóstico de cardiopatia deve redobrar a atenção. O inverno atua frequentemente como o gatilho para o primeiro evento cardiovascular, revelando fatores de risco ocultos ou negligenciados, tais como:

  • Pressão alta não diagnosticada;

  • Colesterol elevado;

  • Diabetes tipo 2 e sobrepeso;

  • Tabagismo e histórico familiar.

Sintomas de infarto e problemas cardíacos: saiba quando ligar o sinal de alerta

Os sinais de emergência cardiovascular costumam surgir de maneira súbita, apresentam forte intensidade, pioram com o esforço físico e não cedem com o repouso. Diferente de uma infecção comum, eles podem se manifestar mesmo sem febre.

Procure atendimento médico imediato ao notar:

  • Dor ou opressão no peito (mesmo em estado de repouso);

  • Falta de ar incomum, chiado no peito ou tosse persistente;

  • Palpitações, tonturas severas ou episódios de desmaio;

  • Inchaço nas pernas acompanhado de fadiga extrema e suor frio.

“Se o sintoma for inédito, atípico ou vier associado a um mal-estar geral difuso, não espere. Busque o pronto-socorro imediatamente”, recomenda a cardiologista do HES.

Guia de prevenção: como proteger o coração nas baixas temperaturas

Adotar hábitos preventivos simples é a estratégia mais eficaz para blindar o sistema cardiovascular no inverno. Confira as principais recomendações dos especialistas:

  • Mantenha o corpo aquecido: proteja especialmente as extremidades (mãos, pés e cabeça) para mitigar o efeito da vasoconstrição.

  • Vacinação em dia: pacientes cardiopatas fazem parte do grupo prioritário e devem se vacinar anualmente contra a gripe e a pneumonia para evitar processos inflamatórios graves.

  • Estilo de vida sob controle: monitore rigorosamente a pressão arterial, evite o tabagismo e limite o consumo de álcool.

  • Dieta e exercícios: mantenha a prática regular de atividades físicas (mesmo em ambientes fechados) e adote uma dieta equilibrada, reduzindo o sódio, açúcares e gorduras saturadas.

  • Saúde mental e sono: garanta uma boa higiene do sono e busque técnicas de gerenciamento do estresse cotidiano.

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