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Correios preparam novo Plano de Demissão Voluntária focado em unidades extintas

Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) está finalizando as diretrizes para o lançamento de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV) nas próximas semanas. A iniciativa, que deve receber adesões até o final de 2026, faz parte de um amplo plano de reestruturação operacional da estatal para conter gastos e reequilibrar suas finanças.

Diferente de edições anteriores, o novo PDV dos Correios terá um público-alvo restrito e estratégico: será direcionado exclusivamente a funcionários alocados em pontos de atendimento, centros de tratamento e armazenamento de cargas que serão desativados. Ao todo, o projeto de restrição prevê o fechamento de cerca de 1.000 unidades em todo o território nacional, abrindo uma janela de desligamento voluntário com potencial para atingir até 7 mil trabalhadores.

Baixa adesão no início do ano muda regras fiscais

Esta será a segunda rodada de demissões incentivadas promovida pela estatal em 2026. No primeiro semestre, um programa semelhante mirava a saída de 10 mil colaboradores, mas registrou a adesão de apenas 3.075 pessoas. Apesar do volume abaixo do esperado, a gestão da empresa informou que conseguiu atingir o equivalente a 45% da meta de economia inicial, estipulada em R$ 1,4 bilhão.

Para este novo ciclo, os incentivos financeiros oferecidos aos funcionários públicos devem sofrer alterações. O pacote de benefícios está em fase de validação pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest), órgão vinculado ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). A tendência de mercado aponta para indenizações com valores inferiores aos praticados no começo do ano, além do estabelecimento de um teto rígido para os pagamentos. Caso as metas voluntárias não sejam alcançadas, a cúpula da estatal não descarta a possibilidade de adotar demissões tradicionais.

Rombo bilionário acelera reestruturação da estatal

A urgência fiscal dos Correios é justificada pelos balanços contábeis recentes. A empresa fechou o ano de 2025 com um deficit acumulado de R$ 8,5 bilhões. O cenário de pressão financeira se agravou no primeiro trimestre deste ano, quando a estatal registrou um prejuízo de R$ 3,1 bilhões — um aumento de 82,35% se comparado ao mesmo período do ano anterior. Projeções internas indicam que o resultado negativo total de 2026 pode se aproximar da casa dos R$ 10 bilhões.

A despesa com a folha de pagamento de pessoal figura historicamente como o maior custo fixo da operação. O plano macro do Governo Federal desenha uma rota de recuperação econômica com o objetivo de tirar os Correios do vermelho até 2027. Para atingir a meta, a estratégia de transição combina a severa redução de custos operacionais internos com a atração de novas receitas, impulsionadas por parcerias comerciais com a iniciativa privada.

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