Linha de crédito BRB

GDF empenha recursos federais como garantia de R$ 6,6 bilhões para o BRB

Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

O cenário financeiro do Distrito Federal passa por um momento decisivo. Para viabilizar o plano de recuperação do Banco de Brasília (BRB), afetado por perdas financeiras decorrentes de operações com o Banco Master, o Governo do Distrito Federal (GDF) adotou uma medida de alto impacto fiscal: a utilização de recursos de repasses federais como garantia para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões.

A estratégia visa garantir o aval da União junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mas acende o alerta de especialistas e do Legislativo local quanto aos riscos fiscais de longo prazo para a capital.

Como funciona a garantia dos recursos federais?

De acordo com o novo desenho do plano de socorro econômico aprovado pela Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), o GDF vinculou as cotas do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) à operação.

O risco fiscal: caso o BRB ou o GDF não cumpram os prazos de amortização e pagamento do empréstimo de R$ 6,6 bilhões, a União está legalmente autorizada a reter os repasses constitucionais diretamente da fonte para liquidar o saldo devedor.

O impacto da crise e a reestruturação no BRB

O rombo financeiro no BRB exigiu uma reconfiguração completa em sua estrutura de capital. Inicialmente, o montante estimado para estancar o deficit gerado pelo caso Master chegava a R$ 8,8 bilhões. Com o acordo costurado no Supremo Tribunal Federal (STF) e o aval da Fazenda Nacional, a operação foi fixada em R$ 6,6 bilhões via FGC.

Para além do aporte financeiro, os desdobramentos administrativos internos incluem:

  • Processos de auditoria: mais de 20 procedimentos de apuração interna foram abertos para investigar a conduta e o envolvimento de servidores nas operações de crédito problemáticas.

  • Fiscalização da LDO: a Comissão de Economia, Orçamento e Finanças (CEOF) da CLDF intensificou as cobranças sobre a gestão fiscal da Lei de Diretrizes Orçamentárias frente à nova dívida pública.

Embora o socorro financeiro dê fôlego imediato ao fluxo de caixa e aos índices de liquidez do BRB, o comprometimento de receitas orçamentárias futuras permanece como o principal ponto de debate entre sindicatos, correntes políticas e a população do Distrito Federal.

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