Mesmo com a redução histórica no número de casos de dengue registrada tradicionalmente em junho, o Distrito Federal mantém o sinal de alerta aceso e intensifica as ações preventivas na capital. Para asfixiar a reprodução do mosquito Aedes aegypti antes do retorno do período chuvoso, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) aposta na tecnologia de ponta: o uso estratégico de drones para mapear e eliminar criadouros em áreas de difícil acesso.
Ao longo desta semana, as aeronaves não tripuladas sobrevoam diversas regiões administrativas para identificar focos de proliferação de doenças como a dengue, zika e chikungunya. Entre os locais cobertos pela força-tarefa tecnológica estão Santa Maria, Gama, Água Quente, Recanto das Emas, Plano Piloto, Park Way, Vicente Pires, Arniqueira, Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), Núcleo Bandeirante, Candangolândia, Estrutural e Águas Claras.
Monitoramento inteligente e mapeamento por Inteligência Artificial
O uso de drones na saúde pública do DF atua em duas frentes integradas. A primeira delas foca no monitoramento e reconhecimento geográfico de riscos. Equipados com câmeras de altíssima resolução, os dispositivos capturam imagens aéreas detalhadas que, posteriormente, são processadas com o suporte de inteligência artificial. Essa tecnologia agiliza a localização de potenciais criadouros ocultos, como calhas entupidas, caixas d’água destampadas, piscinas abandonadas e grandes acúmulos de lixo em terrenos baldios.
De acordo com o agente de Vigilância Ambiental (Avas) da SES-DF, Vladimir Sales, a inovação tornou o combate à dengue consideravelmente mais democrático e abrangente. A ferramenta permite alcançar pontos cegos urbanos — como encostas acidentadas, lotes cercados e imóveis comerciais ou residenciais fechados ou abandonados —, eliminando barreiras físicas que antes impediam a atuação presencial das equipes de fiscalização.
Aplicação precisa de larvicidas por via aérea
Nas situações em que os agentes de saúde não conseguem acessar o foco por vias terrestres, entra em ação a segunda funcionalidade da aeronave: o tratamento químico localizado. O drone tem capacidade de transportar e lançar de forma cirúrgica até quatro pacotes de 15 gramas de larvicida biológico por voo, totalizando uma carga útil de 60 gramas.
Esses invólucros especiais são altamente eficientes: ao entrarem em contato direto com a água parada, dissolvem-se rapidamente, liberando o produto que extermina as larvas do mosquito Aedes aegypti na origem, impedindo que se transformem em vetores alados da doença.