Registros de estupro revelam coragem das vítimas em denunciar agressores

Foto: Reprodução/Google

“A distorção entre o número de ocorrências registradas e a quantidade de crimes ocorridos no mesmo mês, pode ser considerado positivo do ponto de vista de que há um número maior de pessoas fazendo denúncias. Isso reflete na efetividade da investigação e na consolidação de políticas públicas para esse problema com melhores resultados”.
Marcelo Durante, Subsecretário de Gestão da Informação.

Em agosto, 82 ocorrências de estupro foram registradas nas delegacias da Polícia Civil do Distrito Federal. Desses casos, 44 foram cometidos de fato no mês passado. Os demais – 38 – foram em épocas diferentes. Ceilândia, Samambaia, Brasília, Planaltina, Recanto das Emas e Taguatinga concentram 55% das ocorrências.

“Esse aumento no número de registros mostra que as campanhas realizadas pelo governo estão sendo efetivas e que os policiais estão mais preparados para lidar com essas situações”, avaliou Durante.

O estudo produzido pela Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social (SSP/DF) aponta ainda que a maioria das vítimas é vulnerável. Nesse conjunto estão os menores de 14 anos de idade, independente do sexo, deficientes mentais, doentes ou qualquer pessoa que não tenha capacidade de resistência no momento do ato libidinoso.

Das 82 ocorrências, em 56 delas as vítimas eram vulneráveis. Dessas ocorrências, em três delas haviam mais de uma vítima. Portanto, o número de vítimas vulneráveis chegou a 60 em agosto.

“O aumento dos registros mostra também que as pessoas estão mais encorajadas a denunciar e não estão encarando essas situações como algo natural. Mostra que a população está mais confiante nos órgãos de Segurança, o que é muito positivo”, avaliou a delegada-chefe da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Os dados mostram ainda que em 83% dos crimes cometidos contra vulneráveis as vítimas eram menores de 13 anos. Em 12% estavam alcoolizadas ou drogadas, 3% eram autistas e em 2% eram considerados incapazes mentalmente. Do total dessas ocorrência, 98% ocorreram em locais fechados e dessas, 78% foram na residência da vítima, principalmente, e do agressor.

“A atuação direta da polícia muitas vezes fica restringida, ou seja, a polícia precisa da denúncia para atuar, pois os crimes ocorrem principalmente em locais fechados. É importante que outros órgãos públicos estejam atentos aos sinais de violência, como escolas e equipes de saúde da família”, completou o subsecretário.

A delegada-chefe da DPCA faz um alerta sobre a importância da denúncia para que a investigação seja feita de forma correta e sem expor a vítima. É imprescindível que qualquer situação seja comunicada à delegacia para que a criança seja acolhida e encaminhada para rede de proteção, caso necessário. A investigação precisa ser feita pelos órgãos competentes e não pela família”, finalizou.

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