Em uma medida preventiva, o Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (8), a interrupção temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A decisão de suspender a estratégia de imunização ocorre após a identificação de 42 casos de reações adversas severas em pacientes, incluindo três internações hospitalares e duas mortes.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou que, embora os episódios funcionem como um sinal de alerta crucial, ainda não há elementos científicos que confirmem uma relação direta de causa e efeito entre a vacina e as complicações registradas. O cenário agora será rigorosamente avaliado por um comitê de especialistas.
“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que Ministério da Saúde, Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e Butantã aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reação adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, esclareceu Padilha durante coletiva de imprensa.
O chefe da pasta também reforçou a confiança do governo na competência do Instituto Butantan e reiterou a importância histórica das vacinas na erradicação e controle de patologias no Brasil.
Quais vacinas foram afetadas e o panorama da imunização?
É fundamental esclarecer que a suspensão é restrita e exclusiva para o imunizante nacional do Instituto Butantan. A vacina Qdenga, produzida pelo laboratório japonês Takeda e distribuída regularmente no Sistema Único de Saúde (SUS), continua sendo aplicada normalmente e sem restrições.
Integrada ao SUS em janeiro de 2026 como parte de um projeto-piloto para analisar o impacto do imunizante no controle da doença, a vacina do Butantan registrou exatas 500 mil doses aplicadas em território nacional até o dia 30 de maio. O plano piloto concentrou-se em quatro localidades específicas:
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Botucatu (SP)
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Maranguape (CE)
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Nova Lima (MG)
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Araguaína (TO) (com ações iniciadas em março)
O público-alvo delimitado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) compreendia adolescentes e adultos na faixa etária dos 15 aos 59 anos. Adicionalmente, em fevereiro, o SUS expandiu o escopo para imunizar profissionais da atenção primária à saúde, com a projeção de proteger 1,2 milhão de trabalhadores na linha de frente dos postos de saúde.
Eficácia do imunizante e foco nas investigações clínicas
O Ministério da Saúde aponta que a suspensão preventiva não anula a eficácia do imunizante do Butantan. Quem já recebeu a dose segue protegido contra o vírus da dengue. O monitoramento temporário, recomendado pelos sistemas de farmacovigilância, tem o objetivo de coletar dados complementares para mapear potenciais vulnerabilidades individuais.
A junta médica responsável examinará os históricos clínicos das pessoas afetadas, doenças preexistentes, fatores de risco individuais, causas paralelas, possíveis falhas na administração das doses ou desvios na qualidade dos lotes.
Os casos mais severos foram previamente analisados pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), cujos pareceres técnicos basearam a suspensão.
Dados estatísticos e detalhes dos casos graves
O balanço estatístico oficial aponta que, do universo de mais de 500 mil imunizados:
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3.703 pessoas (0,7%) relataram sintomas similares aos da dengue comum.
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42 indivíduos (0,008%) manifestaram sinais de alarme inesperados, visto que sintomas como dores abdominais agudas, episódios de vômitos constantes e sangramentos não haviam sido mapeados nas fases preliminares de testes clínicos.
O comitê detalhou o quadro dos três pacientes que necessitaram de intervenção hospitalar:
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Mulher de 39 anos: apresentou febre, dores musculares (mialgia) e náuseas seis dias após a injeção. O quadro evoluiu para dengue grave e choque, exigindo tratamento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A paciente recuperou-se e recebeu alta médica.
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Mulher de 48 anos: manifestou quadro severo de dengue com comprometimento neurológico (meningoencefalite) 19 dias após receber o imunizante, evoluindo para óbito.
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Homem de 58 anos: iniciou episódios febris cinco dias após a vacinação, com evolução drástica para dengue grave e choque refratário, evoluindo para óbito.
Recomendações e orientações à população vacinada
De acordo com o ministro Alexandre Padilha, cidadãos que tomaram a vacina do Instituto Butantan nos últimos 21 dias contarão com uma estratégia de rastreamento e acompanhamento assistencial intensificado.
O Ministério da Saúde orienta que qualquer indivíduo recém-vacinado procure imediatamente o serviço médico ou uma unidade de saúde caso note o agravamento de sintomas como:
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Febre persistente;
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Dor abdominal intensa e contínua;
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Vômitos frequentes;
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Tontura ou desidratação;
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Sangramentos espontâneos;
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Sonolência profunda ou irritabilidade acentuada;
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Piora generalizada do estado de saúde.
