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Hemocentro conscientiza doadores fenotipados de sangue

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Desde 1994, quando doou sangue pela primeira vez, Carlos Alves Moreira estima ter repetido o ato mais de 70 vezes. “Senti que o meu sangue é importante”, conta, ao lembrar a sensação de mais de duas décadas atrás. Hoje, o serralheiro de 40 anos está entre os 3,5 mil doadores fenotipados cadastrados pela Fundação Hemocentro de Brasília. A lista inclui pessoas que doaram pelo menos três vezes — uma delas ao longo dos últimos 12 meses — e tiveram o sangue analisado minuciosamente.

Fenotipar o sangue de doadores frequentes significa identificar mais características além dos conhecidos subgrupos ABO e fator Rh — que, juntos, formam o popularmente chamado tipo sanguíneo, como AB positivo ou O negativo, por exemplo. Ao fazer isso, o hemocentro confere mais segurança às transfusões para pacientes com doenças hematológicas (do sangue).

“Para pacientes com anemia falciforme ou talassemia, por exemplo, que recebem sangue ao longo de toda a vida, muitas vezes mensalmente, é preciso saber dos menores detalhes e ter um histórico bem conhecido do doador”, destaca o médico Rodolfo Duarte, gerente do Ciclo do Doador, da Fundação Hemocentro de Brasília. Segundo ele, essa análise mais aprofundada visa garantir a precisão e a qualidade do sangue que vai para o paciente, de forma a evitar reações adversas.

Orgulho
“Eu me sinto ainda mais orgulhoso de ser um doador fenotipado, porque sei que o meu sangue vai ser escolhido especialmente para ajudar uma pessoa”, comemora Moreira. Ele e outros cerca de 150 doadores participaram do 1º Encontro de Doadores Fenotipados, nesta sexta-feira (24), na sede da Fundação Hemocentro de Brasília, no Setor Médico-Hospitalar Norte. O objetivo do evento — promovido pelo Núcleo de Captação, Registro e Orientação e pelo Laboratório de Imuno-hematologia, ambos do hemocentro — foi explicar ao grupo a importância de atender aos chamados da instituição e agradecer as doações frequentes.

“Quando o doador fenotipado recebe uma ligação, já existe um paciente internado ou com previsão de internação que depende especificamente daquele sangue para garantir o tratamento. Caso não tenhamos nenhuma bolsa específica no estoque, a gente liga para o doador fenotipado e pede a gentileza de comparecer para salvar mais uma vida”, detalha Duarte, que prevê mais encontros de conscientização no futuro.

Embora o número de doadores fenotipados seja suficiente para suprir a demanda da rede de saúde pública, o gerente do Ciclo do Doador ressalta a importância de reforçar os bancos do Hemocentro: “Quem doa sangue de forma regular contribui para que tenhamos os estoques necessários para atender todos os hospitais de Brasília, que é a nossa tarefa, mas também se habilita a ser um doador fenotipado, para aqueles casos mais graves em que a vida e a saúde dos pacientes dependem desses sangues específicos.”

Requisitos
Para doar sangue, é necessário pesar mais de 50 quilos e ser maior de 18 anos. Adolescentes a partir de 16 anos também podem doar desde que estejam acompanhados por um responsável legal. Para todos os casos, exige-se estar em boas condições de saúde e não ter ingerido bebida alcoólica nas 12 horas anteriores à doação. Os demais pré-requisitos podem ser conhecidos no site da Fundação Hemocentro de Brasília.

Atualizado em 27/04/2015 – 15:12.

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