O panorama econômico dos lares brasileiros apresenta um contraste promissor neste início de segundo semestre. O mais recente levantamento da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), aponta que o percentual de famílias com dívidas no país avançou para 82%. No entanto, de forma contrária ao temor do mercado, a taxa de inadimplência registrou queda no mesmo período.
Esse movimento duplo indica que, embora o brasileiro esteja recorrendo com mais frequência às linhas de crédito para financiar consumo, compras parceladas e compromissos cotidianos, a capacidade de honrar as contas em dia permanece sólida e em fase de recuperação.
O que explica a queda no calote mesmo com dívidas maiores?
Economistas e analistas da CNC avaliam que o fator determinante para a redução no volume de contas em atraso é a sustentação do mercado de trabalho. O aumento continuado da massa salarial e a menor taxa de desemprego proporcionam às famílias uma previsibilidade orçamentária que permite assumir parcelamentos sem, contudo, cair na inadimplência.
O cartão de crédito permanece, isoladamente, como o principal instrumento de endividamento do consumidor brasileiro, sendo utilizado tanto para a aquisição de bens duráveis quanto para o custeio de despesas rotineiras do orçamento familiar. Outras modalidades com participação relevante incluem:
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Carnês de lojas: utilizados frequentemente no comércio varejista tradicional;
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Crédito pessoal e financiamentos: voltados à aquisição de veículos e imóveis.
Fatia do orçamento comprometida
A pesquisa detalha ainda a fatia da renda mensal alocada para a quitação desses débitos. Em média, os lares brasileiros destinam 29,5% de sua receita líquida para pagar dívidas contraídas.
Especialistas ressaltam que um comprometimento de renda próximo do patamar dos 30% é considerado o limite prudencial pelas instituições financeiras. Manter a inadimplência em queda nesse nível de endividamento demonstra um gerenciamento financeiro mais cauteloso por parte do consumidor, favorecido pelo acesso a programas de renegociação e maior controle sobre o fluxo de caixa doméstico.