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6 de junho

Dia do Teste do Pezinho destaca importância e benefícios do exame

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Foto/Imagem: Getty Images


Neste domingo (6), é comemorado no Brasil o Dia Nacional do Teste do Pezinho. A sanção do Projeto de Lei n° 5043/2020, que amplia o número de doenças detectáveis pelo exame, representa um benefício para a população brasileira, na avaliação do presidente do Departamento Científico de Genética da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Salmo Raskin.

O pediatra especializado em genética médica afirma que o Teste do Pezinho em si mesmo já é um benefício para as famílias, porque permite que todo brasileiro, independentemente de sua condição financeira, possa ser testado ao nascimento para seis doenças que têm, em comum, a peculiaridade de, se não forem detectadas precocemente e tratadas, a pessoa ter um problema sério de saúde, não ter uma vida normal e até morrer.

“Agora, com a lei, isso vai ficar muito melhor porque, além de investigar seis doenças, mais de 50 doenças vão ser possíveis de investigação. Em consequência, muito mais bebês e famílias vão ser beneficiados do que já são hoje em dia”, disse. O pediatra ressaltou que são doenças difíceis de diagnóstico pelo médico sozinho. “Se não fizer [o Teste do Pezinho] no primeiro mês de vida, essa criança vai ter problemas gravíssimos logo e no resto da vida”.

A nova lei entra em vigor daqui a um ano, tempo necessário para que os centros que fazem o atual diagnóstico do Teste do Pezinho possam se capacitar e adaptar do ponto de vista técnico, para sair de seis doenças para um grupo de 14 doenças que envolvem cerca de 53 enfermidades.

Doenças raras

Salmo Raskin informou que todas essas doenças são consideradas doenças raras. A doença menos rara afeta um em cada 10 mil nascidos, indicou. As outras são mais raras do que isso. “São doenças terríveis. Podem levar à convulsão, retardo mental, neurodegeneração (a criança regride). São doenças gravíssimas Mas se você faz o teste rapidamente e trata, as crianças podem ter uma vida muito próxima do normal”.

De acordo com o presidente do Departamento Científico de Genética da SBP, o Teste do Pezinho pode ser feito até o trigésimo dia de vida do bebê. O recomendável, entretanto, é que ele seja feito até o sétimo dia de vida da criança. Raskin explicou que no Paraná, onde reside, o centro que faz o teste é muito organizado. “Toda criança que nasce no Paraná, na hora de sair da maternidade, ela já coleta o sangue. Com dois dias de vida, toda criança já coletou”. Em outros lugares do Brasil, não ocorre o mesmo. Em geral, os pais deixam para fazer o teste quando a criança volta ao posto de saúde para vacinar. O teste é feito gratuitamente na rede pública do Sistema Único de Saúde (SUS).

Salmo Raskin destacou que o principal, além da realização de teste no SUS, é o atendimento médico dessa criança após o diagnóstico, que nem sempre é efetuado na rede privada. “De que adianta fazer o diagnóstico dessas doenças raras e depois não disponibilizar o tratamento, o atendimento dessas crianças?”, indagou. Por isso, o Programa de Triagem Neonatal engloba não só o teste, mas também o acompanhamento de quem for diagnosticado pelo teste, na rede do SUS.

As doenças raras estão ganhando mais atenção da medicina nos últimos tempos, admitiu Salmo Raskin, que trabalha com doenças raras há 28 anos. O Teste do Pezinho começou a ser feito no Brasil na década de 1970, com uma doença chamada fenilcetonúria, que causa retardo mental. Em junho de 2001, a Portaria 822 do Ministério da Saúde instituiu, no âmbito do SUS, o Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN), que obriga hospitais públicos e particulares a realizar o Teste do Pezinho.

Desafio

Para Salmo Raskin, o maior desafio para a realização do Teste do Pezinho ampliado não é o teste propriamente dito, porque o Brasil possui uma rede vasta de laboratórios, que terão que se adaptar para fazer o diagnóstico de mais de 50 enfermidades. “O desafio será poder dar o atendimento e o tratamento para quem for diagnosticado. Esse vai ser mais desafiante do que o próprio teste”. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 6% e 7% da população mundial têm doenças raras. Isso equivaleria, no Brasil, a algo entre 12 milhões e 14 milhões de pessoas. “É uma estimativa. Não tem nada concreto”.

Erika Moutela teve sua segunda filha, Manuela, no dia 10 de maio passado e fez o Teste do Pezinho no sexto dia de vida da bebê. Por conta da pandemia do novo coronavirus, ela optou por fazer o teste na rede privada, na própria residência, porque considerou que era “mais seguro, no momento”. Já o primeiro filho, Henrique, de 4 anos de idade, fez o Teste do Pezinho no SUS. Erika afirmou que o Teste do Pezinho é eficaz. Elogiou a ampliação do diagnóstico de doenças raras oferecida pela lei. “A gente vai tendo conhecimento da importância (do teste), da quantidade de doenças que podem ser detectadas e que pode ser tratada uma série de problemas. É super importante”.

Conscientização

A presidente da Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal e Erros Inatos do Metabolismo (SBTEIM), endocrinologista Tânia Bachega, disse à Agência Brasil que o Dia Nacional do Teste do Pezinho visa à conscientização da população para discutir a necessidade desse exame. No âmbito do SUS, ele é feito dentro do Programa Nacional de Triagem Neonatal (PNTN). Quando há resultado positivo, o bebê faz outro exame e é encaminhado para um especialista, para medicação. “É todo um tratamento. Ele vai além do teste em si”.

Tânia Bachega afirmou que o Teste do Pezinho serve para detectar doenças que causam complicações graves mas que, nas fases iniciais, o bebê não tem sinais que chamem atenção ao diagnóstico. “A maioria dessas doenças causa deficiência intelectual, podendo levar até à morte precoce”. O exame consiste em uma picada no calcanhar do bebê para coleta de sangue. “É um exame para selecionar casos suspeitos. Para toda doença que o teste der positivo, o bebê é encaminhado para exame confirmatório , mais específico, em laboratório do SUS e, depois, levado para o especialista. É assim que funciona.É um programa de saúde”. A presidente da SBTEIM acredita que a ampliação do teste vai ajudar muito a população. “Agora, a gente tem até 14 grupos de doenças”.

Escalonamento

Tânia Bachega analisou que os centros de diagnóstico no país não estão preparados para efetuar o Teste do Pezinho ampliado. O projeto original do deputado Dagoberto Nogueira (PDT/MS) previa uma incorporação imediata. Tânia argumentou que o grande problema é que essas doenças envolvem dosagem por um aparelho de alto custo chamado espectômetro de massa e, para colocar os valores de normalidade, a implantação dessa metodologia envolve alta complexidade. “Então, é preciso um tempo para os serviços serem treinados, capacitados. Este projeto nos ensinou muito porque o deputado se uniu a geneticistas, ouviu sociedades médicas e o Ministério da Saúde e essa incorporação é escalonada”. Para Tânia, foi uma grande lição: “o Legislativo, as sociedades médicas e universidades não podem trabalhar sozinhos. Têm que se unir para otimizar as políticas de saúde pública”, disse.

Segundo a presidente da SBTEIM, a grande maioria dos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste tem condições de ampliar essa triagem de forma escalonada. “Essa lei vai uniformizar as ampliações, mas a gente não pode deixar de ter um olhar para o Norte e Nordeste. Grande parte dos estados não está conseguindo fazer o diagnóstico das doenças iniciais”. Em sua área de atuação, que é a endocrinologia, uma das primeiras doenças incorporadas no Teste do Pezinho foi o hipotireoidismo congênito que, se não for bem identificado e tratado até 30 dias de vida, pode provocar o cretinismo, uma doença mental grave. “É uma doença que se for tratada antes de 30 dias, nós vamos ter uma criança normal, com remédio barato. Isso não tem preço para a qualidade de vida”.

A médica, que é também professora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), informou que muitos estados não estão conseguindo fazer essa triagem porque faltam ‘kits’ e o resultado sai com atraso de quatro a cinco meses. “É muito tarde”. Por isso, afirmou que não há condição de o Brasil ampliar a triagem de uma vez. “A gente tem que aproveitar essa ampliação e, primeiro, arrumar a casa no Norte e Nordeste. Este é um problema grave que precisa ser resolvido, para a gente conseguir dar um passo na saúde das nossas crianças”, concluiu a presidente da SBTEIM.

Atualmente, o Teste do Pezinho realizado no SUS detecta seis doenças: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, anemia falciforme, hiperplasia adrenal congênita, fibrose cística e deficiência de biotinidase. Com a ampliação do Teste do Pezinho, poderão ser detectadas doenças como toxoplasmose, além de doenças derivadas de Erros Inatos do Metabolismo (EIM), Erros Inatos da Imunidade (EII) e a Atrofia Muscular Espinhal (AME), entre outras.

DF tem o teste mais completo do país

O Distrito Federal é a única unidade da federação que desde 2011 já possui o Teste do Pezinho ampliado e que detecta 40 doenças.

Segundo a Referência Técnica Distrital (RTD) de Triagem Neonatal, Kallianna Duarte Gameleira, o Teste do Pezinho é uma medida de saúde pública que visa detectar doenças ainda na fase pré-sintomática, permitindo assim, o diagnóstico precoce e a instituição do tratamento em tempo oportuno, diminuindo assim os danos causados pelas doenças.

“Hoje estamos na fase 2 do escalonamento previsto na ampliação recentemente sancionada e em fase de implantação das fases 3 e 4, que inclui as doenças lisossômicas e as imunodeficiências combinadas graves. Iniciaremos o processo da fase 5 que é a atrofia muscular espinhal (AME) tão logo possível”, explica.

Atualmente, o Teste do Pezinho realizado no Distrito Federal faz a triagem das seguintes doenças: Fenilcetonúria; Hipotireoidismo congênito; Fibrose Cística; Hemoglobinopatias (Hemoglobinopatia S, Hemoglobinopatia C, Hemoglobinopatia D, Hemoglobinopatia E, Beta Talassemia e outras variantes); Hiperplasia Adrenal Congênita; Deficiência de Biotinidase; Deficiência de G6PD; Toxoplasmose Congênita; Galactosemia; Alterações em aminoácidos e acilcarnitinas (Aminoacidopatias, Distúrbios do Ciclo da Ureia, defeitos na Beta-Oxidação do Ácidos graxos, Acidemias orgânicas).

De acordo com Kallianna, a demanda da ampliação do Teste do Pezinho é antiga e o DF buscou parcerias para conseguir atendê-la. A necessidade de ampliação do Teste do Pezinho foi identificada durante o acompanhamento de crianças com diagnóstico tardio de doenças que poderiam ter sido detectadas precocemente e tratadas em tempo oportuno.

“Vimos que precisaríamos tomar alguma atitude. Diante deste cenário procuramos auxílio do poder legislativo e conseguimos sancionar a Lei Distrital nº 4.190, de 6 de agosto de 2008, de autoria do deputado Wilson Lima”, relembra.

O Teste do Pezinho é colhido em todas as maternidades públicas e nas unidades básicas de saúde do DF e os exames são encaminhados para o Serviço de Referência em Triagem Neonatal, localizado no Hospital de Apoio de Brasília (HAB). A Lei Distrital 4.190/2008 tornou obrigatória a realização do teste do pezinho ainda na maternidade, antes da alta hospitalar.

“Desta forma, garantimos uma cobertura de 100% das crianças que nascem na rede pública de saúde. As crianças que não nasceram em hospitais da rede pública, mas que os pais desejam realizar o Teste do Pezinho pelo SUS, poderão fazê-lo em qualquer Unidade Básica de Saúde do Distrito Federal”, esclarece.

A coleta do sangue para o exame acontece, geralmente, com 48 horas de vida do recém-nascido e o ideal é que o teste do pezinho seja feito até o quinto dia de vida. O resultado do teste do pezinho sai em até dez dias após a chegada da amostra em laboratório. Em caso de alteração, o laboratório telefona para os responsáveis para agendar uma nova coleta ou uma consulta.

Em 2020 foram realizados 39.500 exames de primeira amostra, com um total de nascidos vivos na rede pública de 37.918 crianças.

Quadro atual

As seis doenças abrangidas atualmente no Teste do Pezinho de outros estados são: fenilcetonúria, hipotireoidismo congênito, hemoglobinopatias, fibrose cística, hiperplasia adrenal congênita e deficiência de biotinidase. Com a nova lei, o exame passará a abranger 14 grupos de doenças. Essa ampliação ocorrerá de forma escalonada e caberá ao Ministério da Saúde estabelecer os prazos para implementação de cada etapa do processo.

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Erasmo Tokarski

Blefaroplastia não cirúrgica é tendência para melhorar aparência

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Foto/Imagem: Freepik

Com o passar dos anos é natural que a pele comece a perder elasticidade. Isso ocorre porque há redução na produção de colágeno, responsável pela sustentação e, também, porque as células não se regeneram com a mesma facilidade de quando eram mais jovens.

Entre as áreas mais afetadas pelo envelhecimento está a região dos olhos, principalmente onde ficam as pálpebras. Na parte de baixo se forma uma espécie de bolsa de gordura, o que dá uma aparência de cansaço ao rosto. Já na parte de cima, o excesso de pele pode fazer com que a pessoa tenha dificuldade para enxergar.

A blefaroplastia é um procedimento realizado para melhorar a aparência e evitar que o excedente de pele comprometa o campo da visão. Atualmente, o mercado oferece a possibilidade de fazer a correção sem ter que passar pela cirurgia: é a chamada tecnologia de plasma.

Especialista em pele há mais de 30 anos, o dermatologista Erasmo Tokarski explica como funciona o procedimento.

“Não é uma cirurgia mas sim um tratamento estético não invasivo. O plasma usado na blefaroplastia sem cortes é um gás ionizado formado pela ação de uma forte energia que promove a separação de íons e átomos. O aparelho utilizado no procedimento gera um plasma artificial que estimula a retração da pele das pálpebras sem cortes”, detalha.

De acordo com o profissional, o tratamento é feito com anestesia local e dura em média 30 minutos. Os resultados podem ser notados logo na primeira sessão.

“Por ser realizado de forma ambulatorial, o tempo de recuperação é de 8 a 10 dias, podendo ocorrer um pouco de inchaço, vermelhidão e algumas manchas, que desaparecerão com o tratamento . Os efeitos positivos do tratamento poderão ser evidentes logo após a primeira intervenção, porém, melhores resultados serão observados após três semanas. Para a aparência benéfica máxima, geralmente são necessárias 3 sessões com intervalos de 6 semanas. Mas não é regra. Os resultados variam de pessoa para pessoa”, ressalta Tokarski.

Benefícios da técnica

  • Correção de imperfeições da pele e lesões benignas, incluindo verrugas, fibromas, pigmentação e manchas solares;
  • Melhoria na aparência de cicatrizes, incluindo cicatrizes pós-cirúrgicas, cicatrizes de acne e estrias;
  • Melhora as linhas de expressão e rugas ao redor da boca.
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Junho vermelho

Além de um ato de amor, doar sangue reduz riscos de problemas do coração

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Redação
Foto/Imagem: Tony Winston/Agência Brasília

Como parte da campanha Junho Vermelho, o dia 14, em que é celebrado o Dia Mundial do Doador de Sangue, tem como objetivo incentivar o espírito de solidariedade, conscientizando a população de que doar sangue é um ato de amor ao próximo e uma atitude que salva vidas. Além disso, a ação promove uma série de benefícios à saúde do doador, como por exemplo, a redução de risco de doenças cardíacas e de alguns tipos de câncer.

O cardiologista hemodinamicista do Instituto do Coração de Taguatinga (ICTCor), Ernesto Osterne, lembra que existem estudos que comprovam que a doação de sangue reduz a viscosidade do sangue, permitindo que os doadores sejam menos propensos a desenvolver doenças do coração.

Um estudo realizado por médicos da Clínica Universitária de Innsbruck, na Áustria, por exemplo, revelou que o metabolismo do elemento ferro no sangue explica a teoria de benefício cardiovascular. “O nosso sangue é produzido na medula e renovado a cada 120 dias, ou seja, quatro meses. Esse processo de composição das novas células faz uso do ferro. A doação de sangue faz com que o organismo produza mais células jovens para repor as células que foram doadas e com isso diminui as reservas de ferro e a oxidação dos lipídios, que consequentemente reduz o risco de entupimento das artérias do coração e do cérebro”, pontua o especialista.

Além disso, pesquisas também apontam que o ato de doar sangue colabora com a redução de certos tipos de câncer, devido à redução oxidativa.

“Quando a pessoa doa sangue ela passa automaticamente por um processo de renovação das células, com isso, as células velhas são renovadas, o que colabora para a redução de algumas doenças”, explica Osterne. O médico alerta, ainda, que o simples ato de doar sangue é uma forma de cuidar da saúde do coração, pois ao se submeter ao processo, o doador precisa realizar uma bateria de exames para identificação de possíveis doenças infectocontagiosas.

“Os exames são realizados para identificar doenças como por exemplo AIDS, Sífilis, Doença de Chagas, Hepatite B e C, entre outras, e isso permite que a pessoa fique mais atenta à saúde.

Como doar

Segundo o Ministério da Saúde, 16 pessoas, a cada mil habitantes, são doadoras de sangue. O percentual corresponde a 1,6% da população brasileira e está dentro dos parâmetros preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Distrito Federal, as doações podem ser realizadas no Hemocentro de Brasília. O agendamento pode ser feito pelos números 160 ou (61) 3327-4413.

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