Saúde

Como amenizar cólicas e outros desconfortos sentidos pelos bebês

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Choro constante e inquietação noite adentro. Estes são indícios de que os bebês estão sentindo algum desconforto. Frequentemente associados à cólica ou à disquesia, essas manifestações já são esperadas nos recém-nascidos e podem ter interferência de fatores como a imaturidade fisiológica do organismo ou até mesmo a rotina alimentar da mãe lactante.

Alguns bebês sofrem muito, outros menos. O fato é que toda criança incomodada manifesta sua dor, mas não sabe explicá-la. Com isso, alguns pais acreditam que a cólica pode ser a motivação de todas as dores. Causada pela falha na coordenação do movimento dos músculos do trato digestivo e pela presença de gases, a cólica é uma condição é comum e poder ser facilmente confundida com a disquesia.

Condição menos falada, a disquesia se trata de um incomodo também no trato digestivo sentido momentos antes do ato evacuatório. Nela, há a chegada das fezes no reto, porém não há o adequado relaxamento do esfíncter anal para liberação das mesmas. Com isso, o bebê faz muito esforço para evacuar e sofre por não conseguir dominar o controle da musculatura. Portanto, uma condição se dá durante a digestão do alimento e a outra já no seu momento de evacuação.

Apesar de serem situações típicas nos primeiros meses de vida, são repletas de choros inconsoláveis, que na maior parte das vezes não apresentam quadros preocupantes.

De acordo com o gastropediatra Henrique Gomes, o que pode ser feito pelos pais é precaução. Ações como alterar a rotina alimentar da mãe lactante restringindo o consumo de derivados do leite de vaca, cafeinados, bebidas gaseificadas e alimentos gordurosos em geral são algumas das maneiras de se amenizar o desafio digestivo dos bebês. Mas caso persista, massagens abdominais são válidas e podem proporcionar alívio rápido, pois auxiliam na eliminação dos gases intestinais e a movimentação da musculatura dos pequenos.

Fase em que cada condição costuma aparecer:

Cólica
A partir da segunda semana de vida e se estende até o terceiro mês de vida;

Disquesia
Desde o nascimento podendo se estender mais comumente até o sexto mês de vida.

Portanto, apesar de semelhantes tanto a cólica quanto a disquesia são desconfortos intestinais que exigem muito dos bebês. É importante observar os sinais que ele apresenta e agir conforme a necessidade de cada um. Em caso de desconforto causado pela disquesia, é necessário ajudar o bebê na hora de evacuar. De forma simples, apenas ao manter as perninhas flexionadas contra o abdômen, dando apoio à planta dos pés, oferecer uma posição mais anatômica para o processo evacuatório já o traz grande alívio.

No caso das cólicas, mesmo que com a alimentação restrita ao leite materno, a formulação do leite é variável de acordo com a dieta da mãe, podendo influenciar num quadro de maior formação de gases, por exemplo. “O leite materno possui um alto teor de lactose, um tipo de açúcar que pode causar as cólicas durante o processo de fermentação, especialmente pelo sistema digestivo ainda ser imaturo. Por isso, é necessário aprimorar a qualidade do leite, reduzindo o consumo de alimentos ultraprocessados e açúcar, para garantir a saúde e o bem-estar tanto do filho, quanto da mãe”, explica o especialista.

Contudo, o especialista alerta que as condições não estão relacionadas somente ao leite materno. Ambas podem acometer bebês que recebem fórmula ou que nasceram de parto cesáreo, já que são crianças menos expostas às bactérias benéficas, o que faz com que os seus organismos fiquem com menos microbiotas necessárias para a digestão. “Razão pela qual, nesses casos, se faz necessário o acompanhamento mais frequente de um pediatra”, conclui.

Dr. Henrique Gomes

Pediatra da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal desde 2008, do Grupo Santa (Hospital Santa Lúcia Sul e Taguatinga) e das clínicas PedCare e Le Petit, Henrique é pós-graduado em Lato Sensu em Doenças Funcionais e Manometria do Aparelho Digestivo no Hospital Israelita Albert Einstein. Residência médica em pediatria pelo HMIB (2006 e 2007), além de atuação na área de Gastropediatria pelo HBDF (2008 e 2009), o profissional atua na área de Gastroenterologia Pediátrica, especialidade que auxilia o pediatra na assistência de crianças e adolescentes portadoras de sintomas relacionados ao aparelho digestivo, como náuseas, vômitos, diarreias, alergias aos alimentos, dores abdominais, constipação intestinal, entre outros.

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