Banco Central do Brasil

Boletim Focus: mercado reduz projeção da inflação para 5,16% em 2026

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Pela segunda semana consecutiva, as principais instituições financeiras do país revisaram para baixo a expectativa de inflação para o ano de 2026. De acordo com o novo relatório do Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (13 de julho de 2026) pelo Banco Central (BC), a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou de 5,30% na semana anterior para 5,16%.

O recuo reflete um cenário de desaceleração nos preços monitorados pelo mercado econômico. Por outro lado, as demais variáveis estruturais da economia brasileira, como o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), as taxas de câmbio do dólar e as metas da taxa Selic, demonstraram estabilidade no levantamento atual.

Projeções Estáveis para o PIB, Câmbio e Taxa Selic

O levantamento do Banco Central trouxe a manutenção de estimativas fundamentais para o desempenho da economia e a condução da política monetária nos próximos anos:

  • Produto Interno Bruto (PIB): a previsão de expansão econômica para 2026 permaneceu fixa em 1,99% pela segunda rodada consecutiva. Para as análises de longo prazo, o mercado projeta crescimento de 1,65% em 2027 e de 2% em 2028.

  • Dólar e câmbio: a cotação da moeda americana estimada para o final de 2026 permaneceu em R$ 5,20. Os analistas estimam valores graduais de R$ 5,28 para 2027 e de R$ 5,34 para 2028.

  • Taxa básica de juros (Selic): pela terceira semana seguida, a estimativa da Selic para o fechamento de 2026 ficou travada em 14%. Como o Comitê de Política Monetária (Copom) fixou a taxa atual em 14,25% na reunião de 17 de junho, os números indicam a probabilidade de ao menos um corte nos juros até dezembro. A próxima decisão do Copom ocorrerá nos dias 4 e 5 de agosto. Para 2027 e 2028, a perspectiva para a Selic é de 12% e 10,5%, respectivamente.

Histórico dos juros: vale lembrar que a Selic vinha sendo mantida em 15% ao ano no intervalo entre junho de 2025 e março de 2026 — o patamar mais severo desde os 15,25% registrados em julho de 2006. O ciclo de aperto monetário contou com sete elevações sucessivas entre setembro de 2024 e junho de 2025.

Alimentos puxam queda histórica no IPCA de junho

O otimismo moderado do mercado financeiro ganha tração com os últimos dados oficiais divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em junho, o IPCA registrou taxa de apenas 0,16%, marcando o quarto mês consecutivo de desaceleração e o menor resultado mensal apurado desde outubro de 2025. Em maio, o índice havia sido de 0,58%.

O principal fator para esse alívio no bolso dos consumidores foi a primeira queda nos preços dos alimentos observada desde novembro de 2025.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação oficial do país atinge 4,64% (abaixo dos 4,72% acumulados até maio). Embora o índice ainda permaneça ligeiramente acima do teto da meta estipulada pelo governo federal, que é de até 4,5%, o desempenho mostra evolução positiva frente a junho de 2025, quando o IPCA mensal atingiu 0,24%.

INPC e reajustes salariais

Paralelamente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), indicador que orienta diretamente as negociações e reajustes salariais de diversas categorias trabalhistas, fechou junho com variação de 0,14%. Com o resultado, o INPC acumula alta de 4,33% no balanço dos últimos 12 meses.

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