O avanço do sarampo no estado de São Paulo volta a acender o sinal vermelho para as autoridades de saúde pública. Dados da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmam que o número de infecções notificadas na região chegou a 26 casos registrados ao longo de 2026.
Os três casos mais recentes foram diagnosticados na capital paulista e envolvem duas crianças com menos de 1 ano de idade (um menino e uma menina) e uma mulher de 30 anos. Nenhum dos três pacientes apresentava histórico de vacinação contra o vírus.
Onde estão os casos?
A concentração dos diagnósticos aponta a Região Metropolitana de São Paulo como o epicentro da circulação do vírus neste ano.
| Município | Casos confirmados |
| São Paulo (capital) | 23 |
| São Bernardo do Campo | 2 |
| Guarulhos | 1 |
| Total do Estado | 26 |
O dado mais alarmante destacado pelos epidemiologistas é o perfil vacinal dos infectados: 19 das 26 pessoas (73%) não haviam recebido nenhuma dose da vacina ou estavam com o esquema vacinal incompleto.
Esse cenário evidencia uma brecha perigosa na imunidade coletiva, permitindo que o vírus altamente contagioso encontre hospedeiros vulneráveis, especialmente entre os lactentes (bebês) que ainda não completaram a idade recomendada para a imunização de rotina.
O que é o sarampo e por que ele preocupa?
O sarampo é uma doença infecciosa grave, transmitida pela fala, tosse ou espirro de pessoas infectadas. O vírus possui uma das maiores taxas de transmissibilidade conhecidas: uma única pessoa infectada pode transmitir a doença para até 18 pessoas suscetíveis.
Sintomas mais comuns:
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Febre alta acompanhada de tosse persistente;
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Coriza (nariz escorrendo) e conjuntivite (olhos vermelhos e lacrimejantes);
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Manchas vermelhas na pele (exantema), que começam no rosto e se espalham pelo corpo;
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Pequenas manchas brancas no interior da boca (sinal de Koplik).
Em crianças pequenas e adultos sem imunização, o sarampo pode evoluir rapidamente para complicações graves, incluindo pneumonia, infecções de ouvido, cegueira e encefalite (inflamação do cérebro), podendo levar à morte.
Como evitar
O sarampo é uma doença 100% evitável por meio da vacinação. A manutenção de altas coberturas vacinais é a única barreira capaz de impedir o retorno de epidemias urbanas.
Campanha de vacinação
Para conter o avanço do vírus e barrar a transmissão comunitária, o Governo do Estado de São Paulo está promovendo uma campanha especial de vacinação com término agendado para o dia 1º de setembro.
Como funciona a ação emergencial?
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Locais atendidos: São Paulo (capital), São Bernardo do Campo e Guarulhos.
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Público-alvo: pessoas com idade entre 6 meses e 59 anos.
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Regra da campanha: a aplicação do imunizante está liberada para qualquer pessoa nessa faixa etária, independentemente do histórico prévio de vacinação.
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Onde vacinar: as doses são aplicadas gratuitamente em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) dos municípios participantes.
Para garantir a proteção da sua família, basta comparecer à UBS mais próxima munido de documento com foto e, se possível, a caderneta de vacinação para atualização do registro.
Alerta nacional
O avanço de casos em São Paulo não é um desafio restrito a um único estado ou região metropolitana. Por ser um vírus de transmissão aérea com taxa de contágio altíssima, o sarampo não respeita divisas territoriais. Em um país continental e integrado como o Brasil, um foco isolado tem potencial para se espalhar rapidamente por todas as regiões.
Nos últimos anos, a oscilação nas taxas de cobertura vacinal acendeu o sinal amarelo nos órgãos de saúde pública e na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Para evitar surtos em larga escala e manter a circulação do vírus sob controle, é indispensável alcançar a chamada imunidade coletiva (ou de rebanho), que exige um patamar mínimo de 95% da população vacinada.
Esquema vacinal recomendado pelo SUS:
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1ª dose (12 meses): vacina Tríplice Viral (protege contra sarampo, caxumba e rubéola).
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2ª dose (15 meses): dose de reforço com a vacina Tríplice Viral ou Tetraviral (inclui proteção contra varicela).
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Pessoas de 1 a 29 anos: devem comprovar duas doses válidas na caderneta.
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Adultos de 30 a 59 anos: devem comprovar pelo menos uma dose da vacina.
Importante: a vacina Tríplice Viral está disponível gratuitamente durante todo o ano nas Unidades Básicas de Saúde de todo o território nacional, e não apenas durante campanhas emergenciais.
Imunizar-se é um ato de proteção individual, mas, acima de tudo, uma responsabilidade coletiva. Ao se vacinar, você cria uma barreira de proteção ao redor de bebês com menos de 1 ano e pessoas imunossuprimidas, que ainda não podem receber a dose e dependem da imunidade da comunidade para permanecerem salvas.
A vacina
A vacina Tríplice Viral (que protege contra sarampo, caxumba e rubéola) é o método mais seguro e eficaz para conter a circulação do vírus e evitar complicações graves.
Mitos Frequentes
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“A vacina contra o sarampo causa autismo.” Falso. Este mito surgiu de um estudo fraudulento de 1998, amplamente desmentido por dezenas de pesquisas científicas globais envolvendo milhões de crianças. Não existe qualquer associação entre a vacina e o espectro autista.
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“Sarampo é apenas uma doença comum da infância.” Falso. O sarampo é uma infecção grave que pode evoluir para pneumonia, infecções de ouvido, cegueira, lesões cerebrais permanentes (encefalite) e morte.
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“Adultos não precisam se vacinar.” Falso. Adultos não vacinados continuam vulneráveis ao vírus e atuam como transmissores. O SUS recomenda a imunização para pessoas de até 59 anos que não tenham o esquema vacinal comprovado.
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“A vacina pode provocar o próprio sarampo.” Falso. A vacina utiliza vírus atenuado (enfraquecido) apenas para estimular a produção de anticorpos, sem capacidade de desenvolver a doença. Reações como febre baixa passageira são raras e apenas indicam a resposta do sistema imunológico.
Verdades Fundamentais
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Duas doses garantem mais de 97% de proteção. O esquema vacinal completo (aos 12 e 15 meses de idade na rotina infantil) confere imunidade duradoura e de altíssima eficácia.
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Imunização protege os bebês. Crianças com menos de 1 ano ainda não completaram a idade para a rotina vacinal regular e dependem da imunidade coletiva (ao menos 95% da população vacinada) para não contraírem o vírus.
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A vacina está disponível o ano todo no SUS. Não é necessário aguardar campanhas emergenciais para atualizar a caderneta de vacinação em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS).
Contraindicações
Por conter vírus vivo atenuado, a vacina Tríplice Viral (sarampo, caxumba e rubéola) é segura para a maioria da população, mas possui contraindicações médicas estritas para grupos específicos.
Quem não pode tomar (contraindicações absolutas)
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Gestantes: o uso de vírus atenuado apresenta risco teórico de transmissão ao feto. Mulheres vacinadas devem evitar engravidar nos 30 dias seguintes à aplicação.
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Imunossuprimidos graves: pessoas em tratamento quimioterápico ou radioterápico, pacientes com HIV/Aids em estágio avançado, portadores de imunodeficiências congênitas ou indivíduos em uso de imunossupressores e corticoides em doses elevadas.
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Histórico de anafilaxia: pessoas que desenvolveram reação alérgica grave e imediata a uma dose anterior da vacina ou a componentes como o antibiótico neomicina.
Situações de adiamento temporário
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Bebês menores de 6 meses: não há indicação nessa faixa etária por imaturidade do sistema imunológico. (Nota: a imunização regular inicia aos 12 meses; a “dose zero” é aplicada de 6 a 11 meses apenas em cenários de surto epidemiológico).
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Doenças febris agudas: pessoas com febre alta ou infecções moderadas a graves devem adiar a aplicação até a melhora dos sintomas.
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Uso recente de sangue ou imunoglobulinas: transfusões de sangue, plasma ou imunoglobulinas podem inativar a vacina. É necessário aguardar um intervalo de 3 a 11 meses (dependendo do produto) antes de tomar a dose.
Importante: pessoas com alergia leve ou moderada a ovo podem tomar a vacina normalmente. Apenas indivíduos com histórico de anafilaxia grave após ingestão de ovo devem ser avaliados por uma equipe médica antes da aplicação.