Há jogos que testam a tática, e há jogos que testam o coração. O épico confronto entre Brasil e Japão pelos 16 avos de final da Copa do Mundo 2026 uniu os dois mundos. Diante de um público de mais de 68 mil torcedores eletrizados no Estádio de Houston, a Seleção Brasileira buscou uma virada monumental por 2 a 1, carimbando o passaporte para as oitavas de final com um gol antológico aos 51 minutos do segundo tempo.
O triunfo da equipe comandada por Carlo Ancelotti premiou a insistência de um grupo que se recusou a aceitar o destino amargo e encontrou a redenção na genialidade de Casemiro e no faro decisivo de Gabriel Martinelli.
O paredão japonês e o castigo no contra-ataque
O desenho tático do primeiro tempo foi de pura paciência. Com o Japão compactado em uma sólida linha defensiva e apostando na disciplina tática, o Brasil tentou furar o bloqueio logo de cara. No primeiro minuto, Bruno Guimarães assustou após tabela com Rayan. Pouco depois, aos 13, Casemiro encontrou Matheus Cunha, que parou em grande defesa do goleiro Suzuki.
Apesar da maior posse de bola da Amarelinha, o contra-ataque japonês mostrou-se letal. Aos 28 minutos, após um erro de passe no meio-campo brasileiro, Sano recuperou a bola, progrediu em velocidade e disparou um chute cirúrgico no canto esquerdo de Alisson: Japão 1 a 0. O gol desestabilizou momentaneamente os brasileiros, que viram os asiáticos se fecharem ainda mais até o intervalo.
A estrela de Ancelotti e o caminho do empate
Insatisfeito, Carlo Ancelotti mexeu no intervalo, promovendo a entrada de Endrick na vaga de Lucas Paquetá, empurrando o time à frente. A pressão surtiu efeito logo no início da segunda etapa. Aos 8 minutos, após cruzamento de Rayan e assistência de Douglas Santos, Tomiyasu salvou uma cabeçada de Casemiro em cima da linha.
A insistência do capitão não demorou a ser recompensada. No minuto seguinte, após cobrança curta, Vinicius Jr. serviu Gabriel Magalhães, que cruzou com perfeição. Casemiro subiu soberano e testou firme para incendiar as arquibancadas: 1 a 1.
Martinelli e o milagre nos acréscimos
Quando a prorrogação parecia inevitável e os nervos estavam à flor da pele, brilhou a estrela das substituições. Gabriel Martinelli, que havia entrado no lugar de Matheus Cunha, moveu-se com inteligência no ataque.
Aos 51 minutos da etapa final (90’+6′), a mística da Amarelinha entrou em campo. Rayan recuperou a bola de forma agressiva no setor ofensivo e acionou Bruno Guimarães. Com extrema visão de jogo, o volante deu uma assistência açucarada para Gabriel Martinelli, que saiu cara a cara com Suzuki e tocou com categoria para o fundo das redes. Uma virada heroica e emocionante para selar a classificação.
Oitavas de final
Com a classificação assegurada em Houston, a Seleção Brasileira agora aguarda o vencedor do confronto entre Noruega e Costa do Marfim para conhecer seu adversário nas oitavas de final.
O elenco ganha alguns dias para reajustar os detalhes defensivos e recuperar o fôlego. O próximo compromisso oficial do Brasil está marcado para o próximo domingo, 5 de julho de 2026, às 17h (horário de Brasília), no gramado de Nova Jersey.
Ficha técnica da partida
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Placar: Japão 1 x 2 Brasil
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Gols: Sano (JAP – 28′), Casemiro (BRA – 54′) e Gabriel Martinelli (BRA – 90’+6′)
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Público: 68.777 espectadores
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Local: Estádio de Houston, Houston (EUA)
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Escalação do Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Gabriel Magalhães e Douglas Santos; Casemiro (Fabinho), Bruno Guimarães (Danilo Santos) e Lucas Paquetá (Endrick); Rayan, Matheus Cunha (Gabriel Martinelli) e Vini Jr. Técnico: Carlo Ancelotti.