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Tratamento de câncer com 90% de eficácia avança na Anvisa

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O combate ao câncer no Brasil está prestes a vivenciar uma transformação histórica. A inovadora terapia genética CAR-T Cell, desenvolvida por cientistas brasileiros, entrou oficialmente no fluxo prioritário de avaliação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O objetivo da medida é acelerar o processo de análise técnica e garantir o registro do tratamento, pavimentando o caminho para a sua incorporação definitiva ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Atualmente, o procedimento inovador passa por crivo rigoroso dentro do Comitê de Inovação da agência reguladora. Para impulsionar a soberania científica nacional e viabilizar o acesso público à tecnologia, o Ministério da Saúde formalizou um aporte de R$ 100 milhões em investimentos diretos no estudo.

A pesquisa de ponta é liderada pela Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP), em parceria direta com a Fundação Hemocentro e o Instituto Butantan.

O que é a terapia CAR-T Cell e como ela funciona?

Diferente das abordagens convencionais da oncologia — como a quimioterapia —, a tecnologia CAR-T Cell é uma imunoterapia personalizada de alta precisão. O método consiste em coletar as próprias células de defesa do paciente (os linfócitos T) e modificá-las geneticamente em laboratório para que passem a identificar e destruir os tumores de forma cirúrgica.

O foco inicial da pesquisa clínica brasileira está voltado para pacientes diagnosticados com leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B, especialmente aqueles que esgotaram todas as linhas tradicionais de tratamento. Dados preliminares do estudo apontam uma taxa de sucesso impressionante: quase 90% dos pacientes (9 em cada 10 indivíduos tratados) apresentaram redução significativa ou remissão completa dos tumores em um curto espaço de tempo.

Parceria estratégica reduzirá custos milionários

No mercado internacional, o preço da terapia celular ultrapassa a marca de 500 mil dólares por paciente (cerca de R$ 2,5 milhões), tornando o tratamento inacessível para a maior parte da população. Com a fabricação 100% nacional por meio do Núcleo de Terapias Avançadas (Nutera) em Ribeirão Preto, a expectativa é que o custo de produção seja reduzido de um terço a um quinto do valor comercial.

O acompanhamento simultâneo da Anvisa ao longo do ensaio clínico de fase I/II visa garantir que todos os parâmetros de segurança e eficácia biológica sejam atendidos em tempo recorde. Ao todo, o cronograma prevê a produção de células modificadas para pelo menos 81 participantes do estudo, expandindo o contingente clínico para atingir a meta mínima de 100 pacientes monitorados.

A agência reguladora e o Ministério da Saúde trabalham de forma coordenada para que o registro sanitário seja emitido imediatamente após a consolidação dos dados finais, garantindo o direito à cura gratuita para milhares de brasileiros na rede pública de saúde.

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