No Brasil, o desejo de se exercitar é grande, mas não se traduz de forma igual para todos. Enquanto 93% dos brasileiros afirmam querer se movimentar, apenas 44% dizem conseguir manter uma rotina ativa. Os dados mostram um país diverso, onde o contexto regional influencia diretamente quem pratica, com que frequência e em quais condições. O recorte por região revela múltiplas realidades. O Nordeste se destaca como a região mais ativa no país, com 53% da população praticando exercícios regularmente, enquanto o Sul aparece no extremo oposto, com apenas 34% de pessoas ativas e 66% em situação de sedentarismo.
Quando ampliamos a análise, o cenário se distribui da seguinte forma:
- Nordeste: 53% ativos vs 47% sedentários;
- Centro-Oeste: 47% ativos vs 53% sedentários;
- Sudeste: 43% ativos vs 57% sedentários;
- Norte: 36% ativos vs 64% sedentários;
- Sul: 34% ativos vs 66% sedentários.
Intitulado “O novo significado do esporte no Brasil: onde corpo, movimento e cultura se encontram”, o estudo da Decathlon analisa o papel da atividade física na vida dos brasileiros e as barreiras que ainda limitam sua prática, a partir de uma abordagem que combina imersão em repertório acadêmico, análise de mais de 10 milhões de menções nas redes sociais e uma pesquisa quantitativa com 2.017 pessoas, representativa de todas as regiões, classes sociais e faixas etárias.
Motivação é desafio nacional, mas barreiras variam por região
As diferenças regionais mostram que o ambiente em que as pessoas vivem impacta diretamente a prática de atividade física. Mais do que quem pratica, o estudo revela que cada região enfrenta um tipo diferente de barreira para se manter ativa.
- No Centro-Oeste, a motivação lidera como principal barreira, citada por 51%, seguida por tempo e custo, ambos com 41%.
- No Norte, a motivação também está na liderança, com 48%, seguida por tempo (43%) e pelo custo (41%).
- No Sudeste, o desafio se distribui de forma mais equilibrada entre motivação (44%), tempo (42%) e custo (33%), refletindo uma rotina mais acelerada e com maior pressão sobre a gestão do tempo.
- No Nordeste, embora a motivação também seja o principal entrave (43%), o tempo aparece com 31% e o custo com 27%, sendo a região que menos cita o custo como barreira.
- E no Sul, o padrão se aproxima do Sudeste, com motivação (42%) e tempo (41%) como principais obstáculos e menor impacto do custo (26%).
Prioridade do corpo e da rotina varia entre regiões
Além das barreiras para a prática, os dados mostram diferenças na forma como a atividade física se encaixa na rotina dos brasileiros.
No Sudeste, 72% dos praticantes afirmam preferir uma rotina que permita a prática de exercícios, enquanto 28% dizem priorizar maior salário. O mesmo padrão se repete no Sul, onde 71% priorizam uma rotina compatível com a atividade física e 29% preferem maior remuneração, e no Centro-Oeste, com 70% vs. 30%.
No Norte e no Nordeste, 66% dizem preferir uma rotina que permita se exercitar, enquanto 34% optam por maior salário, mostrando uma diferença regional na forma como trabalho e atividade física se organizam no dia a dia.
Percepção sobre o impacto do esporte também muda entre regiões
A forma como o esporte é percebido também varia regionalmente.
O Centro-Oeste lidera a sensação de transformação pessoal, com 71% afirmando já ter vivido mudanças a partir da prática, seguido pelo Sudeste (69%). No Sul, esse índice é menor (64%), indicando menor percepção de impacto direto. O Nordeste aparece próximo da média (66%) e o Norte também se alinha ao índice nacional (67%).
Quando o tema é sucesso, o Norte se destaca: 71% dos entrevistados acreditam que pessoas que praticam esportes são mais bem-sucedidas, acima da média nacional (63%). O Centro-Oeste aparece com 64%, Sudeste e Nordeste, com 63%, enquanto o Sul registra o menor índice (58%).
Quanto ao comportamento, também surgem diferenças. Sul e Norte lideram a preferência por treinos no sábado durante o dia (80%), sugerindo uma rotina mais estruturada. Centro-Oeste aparece próximo da média (76%), enquanto Sudeste e Nordeste (73%) mostram maior abertura para treinos noturnos na sexta-feira.
Mesmo com diferenças, disposição para mudança é nacional
Apesar dos contrastes regionais, os dados mostram que o desejo de se movimentar é compartilhado em todo o país.
- 76% dos brasileiros já foram ativos em algum momento da vida;
- 70% pretendem começar a praticar atividade física ainda este ano;
- apenas 7% afirmam que nada os faria praticar exercícios.
Entre os que já são ativos, o movimento é de evolução: 57% afirmam ter aumentado a frequência de atividades físicas no último ano, indicando que, quando a prática se estabelece, ela tende a se intensificar.
Os resultados reforçam que não existe uma única estratégia para incentivar a prática esportiva no Brasil. Mais do que estimular o exercício, o desafio está em compreender as particularidades de cada região e criar caminhos que façam sentido para diferentes realidades. Tornar o esporte mais presente na vida das pessoas passa, necessariamente, por reconhecer e responder a essa diversidade.