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Coronavírus

Qual a diferença entre pandemia, epidemia e infecção endêmica?

Redação

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Foto/Imagem: Pixabay
BBC

O surto de coronavírus acaba de ser declarado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma pandemia. Até agora, o surto deixou mais de 100 mil infectados em todo o mundo e mais de 4 mil mortos.

“Pandemia não é uma palavra para ser usada de maneira leve ou descuidada. É uma palavra que, se usada incorretamente, pode causar medo irracional ou aceitação injustificada de que a luta acabou, levando a sofrimento e morte desnecessários”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS.

Mas o que é uma pandemia e qual a diferença entre uma epidemia e uma infecção endêmica?

O que é um vírus e como ele se propaga?

Vamos começar do começo: um vírus é uma pequena coleção de proteínas e material genético.

Existem muitos vírus no mundo. Um exemplo, e que infecta muitas pessoas todos os anos, é o da influenza — a gripe.

No Reino Unido, por exemplo, pode afetar cerca de 10 a 20% da população a cada ano.

A gripe se espalha quando as pessoas espirram ou tossem. O vírus é transmitido entre pessoas ou por meio de substâncias infectadas, como muco.

Mas outros vírus podem se espalhar por contato direto quando as pessoas se abraçam ou se beijam, e há outros que são transmitidos por contato sexual, como o HIV.

Epidemia, pandemia ou endemia?

Rosalind Eggo, especialista acadêmica em doenças infecciosas da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, explicou à BBC as diferenças entre epidemia, pandemia e endemia.

“A infecção endêmica está presente em uma área permanentemente, o tempo todo, durante anos e anos”, diz o especialista.

Um exemplo pode ser a varicela em muitos países, onde casos são registrados todos os anos. Ou a malária, que em partes da África é uma infecção endêmica.

Por sua vez, uma epidemia é “um aumento nos casos, seguido por um pico e depois uma diminuição”.

É o que acontece nos países onde as epidemias de gripe são registradas todos os anos: no outono e no inverno os casos aumentam, o máximo de infecções é atingido e depois diminui.

Finalmente, a pandemia é uma epidemia que ocorre “ao redor do mundo aproximadamente ao mesmo tempo”.

Eggo lembra que a gripe que começou no México em 2009 e que mais tarde chegou ao mundo inteiro foi uma pandemia.

Estamos preparados para uma pandemia?

A especialista lembra que a maior mobilidade e o número de viagens realizadas em todo o planeta são a principal causa pela qual uma pandemia pode ser desencadeada.

“As pessoas continuarão a viajar por todo o mundo e, se a infecção sobreviver nos locais onde elas chegarem, teremos uma pandemia”, diz ela.

Eggo destaca o papel vital das vacinas na prevenção de doenças.

“As vacinas permitem que nossos corpos vejam como é um vírus ou bactéria antes que realmente o percebamos. Se encontrarmos esse vírus ou essa bactéria, nosso corpo poderá responder rápida e solidamente”, diz ela.

Então, poderíamos reagir a uma nova pandemia?

“O mundo está mais preparado do que nunca. E cientistas, países, agências de saúde pública, como a OMS, trabalham em estreita colaboração para garantir que estejamos o mais preparados possível”, conclui Eggo.

Keith Mortman

Vídeo mostra danos causados por novo coronavírus nos pulmões

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Foto/Imagem: Instituto Peter Doherty

O vídeo de um hospital norte-americano mostra os pulmões de um homem que não apresentava sintomas para o novo coronavírus e, hoje, está infectado e seus órgãos estão deixando de funcionar como deveriam. A informação é de Keith Mortman, chefe do setor de cirurgia torácica do Hospital da Universidade George Washington.

A instituição divulgou, recentemente, o vídeo que mostra, em 3D, os pulmões de um paciente com Covid-19. As imagens indicam os danos extensivos causados aos órgãos de um homem de 59 anos, com pressão alta.

Desde que o paciente ficou doente, ele precisa de um ventilador respiratório para ajudá-lo a inspirar e expirar. Mesmo assim, não é suficiente. Ele também necessita de outra máquina para circular e oxigenar o sangue.

“Não se trata de um paciente de 70, 80 anos imunossuprimido (com o sistema imunológico muito vulnerável a infecções) e diabético”, afirmou Mortman. “Tirando a pressão alta, ele não tem nenhum outro problema médico significativo. Este é um homem que cuidava da própria vida e contraiu o vírus. Se fizermos um novo vídeo agora, uma semana depois do original, há uma chance de que a infecção e o processo inflamatório possam estar piores”, explicou.

Nas imagens, as áreas marcadas em amarelo representam as partes infectadas e inflamadas dos pulmões, detalhou Mortman. Quando eles se deparam com uma infecção viral, começam a selar o vírus.

Nota-se que os danos não ficam restritos a apenas uma região do órgão, mas se estendem por faixas enormes dos dois pulmões, mostrando o quão rápida e agressiva a infecção pode ser, mesmo em pacientes mais novos. Uma pessoa saudável não teria as marcações em amarelo que aparecem no vídeo, segundo o médico. O paciente em questão está, agora, internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em estado grave.

“Para esses pacientes que apresentam insuficiência respiratória progressiva, os danos aos pulmões ocorrem de forma rápida e generalizada (como mostram as imagens do vídeo)”, destacou Mortman em um e-mail.

“Infelizmente, uma vez que estiver nesse estágio da doença, os pulmões podem levar muito tempo para se recuperar. Para cerca de 2% a 4% dos pacientes com Covid-19 (dependendo do número de indivíduos infectados que se considera), o problema é irreversível e eles acabam sucumbindo à doença”, explicou.

A resposta dos pulmões à doença

O novo coronavírus é essencialmente de natureza respiratória. Ele “atinge as membranas mucosas e, depois, os pulmões. A maneira com a qual o corpo tenta controlar isso ocorre por meio da inflamação”, segundo Mortman.

Os pontos em amarelo nas imagens mostram infecções e inflamações. “Então você contrai essa grave inflamação nos pulmões como tentativa do corpo em controlar a infecção.”

A inflamação impede os pulmões de oxigenar o sangue e remover o dióxido de carbono, o que faz o paciente arfar ou inalar uma grande quantidade de ar para equilibrar os níveis de oxigênio e dióxido de carbono.

As imagens sugerem que as palavras para descrever os sintomas comuns da doença – como tosse e dificuldade de respiração – não podem expressar realmente o impacto do vírus no corpo humano.

Em algumas pessoas, segundo Mortman, os danos podem ser irreversíveis, tornando fundamental que as pessoas sigam as recomendações de manter o distanciamento social e o isolamento. “Quero que as pessoas vejam e entendam o que isso pode fazer”, disse o médico. “Elas precisam levar isso a sério.”

O Hospital da Universidade George Washington costuma usar as imagens em 3D para identificar câncer em pacientes e planejar procedimentos cirúrgicos. Mas, pela primeira vez, a tecnologia foi aplicada para combater o novo coronavírus.

“Estamos no escuro com essa doença”, afirmou Mortman. “Queremos entendê-la da melhor forma que pudermos. Esse é o nosso primeiro paciente, mas tenho certeza de que é o primeiro de muitos que virão nas próximas semanas.”

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Passou China e Itália

Coronavírus: EUA assumem ponta com 81.378 casos e 1.178 mortos

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Foto/Imagem: Eduardo Munoz/Reuters

Os Estados Unidos ultrapassaram a China e a Itália como o país com o maior número de casos de coronavírus, de acordo com dados da agência de notícias britânica Reuters.

Nova York, Nova Orleans e outros áreas de forte incidência enfrentam um aumento nas hospitalizações e iminente escassez de suprimentos, pessoal e leitos para os doentes.

As instalações médicas estão com poucos ventiladores e máscaras protetoras e são prejudicadas pela capacidade limitada de testes de diagnóstico.

O número de casos de coronavírus nos Estados Unidos chegou a 81.378. A China ficou em segundo lugar com 81.340 casos, segundo os últimos dados, e a Itália em terceiro: 80.539.

Pelo menos 1.178 pessoas morreram nos Estados Unidos pelo novo coronavírus (Covid-19).

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Alerta da OMS

Estados Unidos podem se tornar novo epicentro do coronavírus

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Foto/Imagem: Carlo Allegri/Reuters

Os Estados Unidos têm potencial para se tornarem o novo epicentro da pandemia de Covid-19 após “aceleração muito rápida” no número de casos, disse a OMS (Organização Mundial da Saúde) em conferência nesta terça-feira (24).

O novo coronavírus já atingiu mais de 42 mil pessoas nos EUA. Nas últimas 24h, 85% dos novos casos em todo o mundo eram da Europa ou dos Estados Unidos. Desses, 40% eram pacientes americanos, informou a porta-voz da OMS, Margaret Harris.

Questionada se os EUA poderiam se tornar o novo epicentro, Harris respondeu que ainda não pode dizer que é o caso, mas que o país “tem esse potencial”.

O painel da OMS que acompanha a evolução do vírus registou 40 mil novos casos nesta segunda (23) — o maior aumento desde o início da epidemia em dezembro. Harris disse que se pode esperar novos recordes a cada dia, até que sejam tomadas medidas mais duras de confinamento.

Novo coronavírus no mundo

Até o momento, a Europa é o centro da transmissão do novo coronavírus. A Itália é o país mais atingido, com o maior número de mortes até o momento. No entanto, a taxa de infecções e fatalidades tem começado a desacelerar no país. “Começamos a enxergar um pouco de esperança na Itália”, disse Harris.

A OMS também demonstrou preocupação nos casos crescentes em países com sistemas de saúde pouco estruturados e altas taxas de infecção pelo HIV.

O número de pacientes de Covid-19 na África do Sul subiu para 554 nesta terça. Uma quarentena nacional será imposta no país a partir desta quinta (26), conforme decreto do presidente Cyril Ramaphosa.

A pandemia tem crescido exponencialmente, com casos reportados em 189 países e territórios. Até o momento, a OMS confirma 334.981 casos e 14.652 mortes pela nova doença em todo o mundo.

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