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Universidade Federal do Rio de Janeiro

Pesquisa: vírus Zika traz prejuízos motores e de memória a adultos

Redação

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Foto/Imagem: Pixabay
Alana Gandra

Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) descobriu que o vírus Zika, além de se replicar no cérebro de pessoas adultas, também causa prejuízos de memória e problemas motores. O estudo foi publicado nesta quinta-feira (5), em Londres, no Nature Communications.

O estudo foi iniciado na época do surto de Zika no país, nos anos de 2015 e 2016. “[Na época] aumentou o número de casos e, junto com a microcefalia, que foi o que chamou mais a atenção, começaram a aparecer complicações em pacientes adultos”, disse uma das coordenadoras da pesquisa, a neurocientista Claudia Figueiredo.

Apesar de a doença ser autolimitada, com sintomas leves, muitos pacientes apresentavam quadro mais grave: alguns entravam em coma ou tinham internações por períodos mais longos. “Então, surgiu a nossa pergunta: os pesquisadores têm mostrado que o vírus se replica em células progenitoras, que são aquelas do feto, do nervo central. Será que esse vírus não infecta também o neurônio maduro? Foi aí que começou a nossa abordagem”, relatou Claudia.

Neurônio maduro

Os pesquisadores da UFRJ usaram tecidos de acesso, ou seja, tecidos sem doença, de pacientes adultos que haviam se submetido a cirurgias do cérebro, mas não tinham Zika. Eles fizeram cultura em laboratório e colocaram o vírus Zika nesse tecido, que tem neurônio maduro. Observaram então que o vírus infectava aquelas células, principalmente os neurônios desse tecido, e se replicava nesse tecido. Ou seja, produzia novas partículas virais.

Nesse meio tempo, surgiram achados clínicos de que em alguns pacientes se detectava o vírus no sistema nervoso central, no líquor, que é o líquido que envolve o cérebro. Os pesquisadores da UFRJ decidiram então ver que tipo de efeito aconteceria se infectassem o cérebro de um animal adulto com esse vírus. “A gente fez a administração do vírus dentro do cérebro do camundongo adulto e observou várias coisas”, disse Cláudia.

Replicação

Constatou-se então que o vírus se replicava no cérebro do animal adulto e tinha preferência por áreas relacionadas com a memória e o controle motor. “E era justamente isso que estava alterado nos pacientes quando eles tinham o vírus em quadros mais complicados. Não só o vírus se replicou, mas ele [camundongo] ficou com prejuízo de memória e prejuízo motor”. Isso pode acontecer com pessoas adultas também, confirmou a coordenadora do estudo. “Quando o vírus infecta, em algumas pessoas, não se sabe por quê, o vírus chega ao sistema nervoso central, em outras não, depende de vários fatores, e pode causar esse tipo de dano”.

A neurocientista destacou que o prejuízo de memória ocorreu não apenas na fase adulta da infecção. Os cientistas perceberam que os sintomas permanecem mesmo após a infecção ter sido controlada nos camundongos. O vírus se replicou e teve um pico de replicação de vários dias. “Só que até 30 dias depois que o vírus já está com quantidade baixa no cérebro, o animal ainda continua com prejuízo de memória. O prejuízo de memória persiste”. A pesquisadora esclareceu que 30 dias na vida de um animal equivalem a dois, três ou quatro anos na vida de um humano. “É muito tempo”.

A pesquisa alerta que talvez seja necessário avaliar a memória dos pacientes infectados após alguns anos. O estudo também concluiu que o vírus induz uma informação importante no cérebro: que esses períodos de memória estão associados a quadros inflamatórios muito intensos. Os pesquisadores usaram um anti-inflamatório e viram que esse tratamento melhora o prejuízo de memória, levando o paciente a recuperar a função prejudicada. Os cientistas acreditam que a descoberta pode contribuir para a elaboração de políticas públicas para tratamento de complicações neurológicas por Zika em pacientes adultos.

Doenças neuropsiquiátricas

A pesquisa agora deverá estudar outras alterações, isto é, se os pacientes que saem de um quadro de infecção de Zika ficam mais suscetíveis a outras doenças neuropsiquiátricas. Para isso, estão submetendo um animal que já se recuperou e melhorou do prejuízo de memória, para ver se ele fica mais suscetível, por exemplo, a eventos de estresse que podem levar a um quadro depressivo. Claudia Figueiredo afirmou que a continuidade dos estudos depende de novos apoios financeiros. A Faperj, por exemplo, já ampliou a Rede Zika por mais um ano.

Os pesquisadores querem avaliar ainda o efeito de outras arboviroses, isto é, os vírus transmitidos por mosquitos, entre os quais a Chikungunya, sobre esse tipo de alteração, principalmente na questão da dor. “Que tipo de dor induz. Se é um quadro similar à artrite, se há um componente neurológico nessa dor, algum componente central”, informou a pesquisadora.

A pesquisa contou com financiamento da Rede de Pesquisa em Zika, Chikungunya e Dengue no Estado do Rio de Janeiro, da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Além de Claudia Figueiredo, também coordenou a pesquisa, Sergio Ferreira, do Instituto de Bioquímica da UFRJ. A virolgista Andrea Da Poian, do Instituto de Bioquímica Médica da UFRJ colaborou.

45 foram descartados

Número de casos suspeitos de coronavírus no Brasil cai para 3

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Foto/Imagem: Josué Damacena/Fiocruz

O número de casos suspeitos de infecção por coronavírus no Brasil caiu para três, informou o Ministério da Saúde. Segundo o balanço mais recente da pasta, divulgado neste domingo (16), dois pacientes em São Paulo e um no Rio Grande do Sul estão sendo monitorados. O número de suspeitas descartadas subiu para 45.

O total não mudou em relação ao boletim de ontem (15). De sexta-feira (14) para sábado, um caso no Paraná e outro no Rio Grande do Sul foram descartados. No entanto, um caso começou a ser investigado em São Paulo, resultando no total de três suspeitas em todo o país.

Entre os 45 casos descartados, o estado de São Paulo lidera, com 20 pacientes analisados. Em seguida, vêm Rio Grande do Sul, com nove suspeitas, Rio de Janeiro (5), Santa Catarina (4), Paraná (3), Minas Gerais (2), Distrito Federal (1) e Ceará (1).

Na sexta-feira, o Ministério da Saúde informou que não pretende reduzir as ações de combate ao coronavírus até o inverno, quando aumentam os casos de doenças respiratórias. Segundo a pasta, a mobilização continuará, independentemente da redução do número de casos investigados.

Batizada pela Organização Mundial da Saúde de COVID-19, a doença provocada pelo coronavírus provoca febre e problemas respiratórios. Até as 12h de hoje, haviam sido registrados 50.580 casos confirmados em todo o planeta. Desse total, a maioria está na China, com 50.024 casos e 1.524 mortes. Os outros dois óbitos foram registrados no Japão e nas Filipinas.

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Dia D

Postos abrem em todo o Brasil para vacinação contra sarampo

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Foto/Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Os postos de saúde de todo o país funcionam durante todo o dia neste sábado (15), Dia D da Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo. De acordo com o Ministério da Saúde, a campanha visa sensibilizar os pais e responsáveis sobre os riscos de não vacinar seus filhos, pois sarampo é uma doença grave e que pode matar.

“É importante que as pessoas entendam as consequências de não se vacinar contra o sarampo, que é um vírus de alta transmissibilidade, podendo uma pessoa com a doença contaminar mais 18 indivíduos, e letal, principalmente em crianças. Por isso, os responsáveis devem ficar atentos e levar suas crianças para vacinar”, alertou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Nessa etapa, a convocação será para mais de 3 milhões de crianças e jovens na faixa etária de 5 a 19 anos de idade, que devem se vacinar até o dia 13 de março.

Mandetta destacou a importância da participação dos estados e municípios no combate à doença. “Também, nesse momento, os gestores estaduais e municipais de saúde devem unir forças para deixar o Brasil novamente livre da circulação do sarampo”.

A representante da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e da Organização Mundial da Saúde (OMS) no Brasil, Socorro Gross, disse que a união entre governo, população e profissionais de saúde é fundamental para a extinção da doença no país. “A responsabilidade da vacinação deve ser compartilhada entre o governo, os profissionais de saúde e toda a população. Todos devem trabalhar para que o Brasil se livre do sarampo, e a única maneira de nos proteger é manter as vacinas em dia”.

O ministério já enviou 3,9 milhões de doses da vacina tríplice viral para os estado, 9% a mais que o solicitado. “O quantitativo é destinado à vacinação de rotina, às ações de interrupção da transmissão do vírus e à dose extra, chamada de dose zero para todas as crianças de seis meses a 11 meses e 29 dias”.

Dados da doença

Em 2019, 9% dos municípios (526) registraram 18.203 casos confirmados e 15 mortes por sarampo, sendo 14 no estado de São Paulo e uma em Pernambuco. São Paulo também registrou o maior número de casos, 16.090, 88,4% do total, em 259 municípios, seguido dos estados do Paraná, Rio de Janeiro, Pernambuco, Santa Catarina, Minas Gerais e Pará.

Atualmente, nove estados mantêm transmissão ativa do vírus do sarampo, sendo que, em 2020, cinco estados já confirmaram casos: São Paulo, com 77 casos; Rio de Janeiro, com 73; Paraná, com 27; Santa Catarina, 22, e Pernambuco, três casos.

A primeira morte por sarampo este ano foi registrada no Rio de Janeiro, anunciada na sexta-feira (14) pela Secretaria Estadual de Saúde. Link 1 Os estados do Pará, Alagoas, Minas Gerais e Rio Grande do Sul não confirmaram casos em 2020, estando em monitoramento devido aos casos ocorridos em 2019.

Sintomas

Os principais sintomas do sarampo são febre acompanhada de tosse; irritação nos olhos; nariz escorrendo ou entupido; e mal-estar intenso.

Em torno de três a cinco dias podem aparecer outros sinais e sintomas, como manchas vermelhas no rosto e atrás das orelhas que, em seguida, se espalham pelo corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade.

O sarampo é uma doença infecciosa grave, causada por um vírus, que pode ser fatal. Sua transmissão ocorre quando o doente tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas. A única maneira de evitar o sarampo é pela vacina.

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DF contra o Aedes

Vigilância Ambiental reforçará combate à dengue neste sábado

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Foto/Imagem: Breno Esaki/Secretaria de Saúde

Ações diárias têm sido implementadas pelas equipes de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde em diferentes pontos do Distrito Federal, para eliminar os focos do Aedes aegypti. O combate tem sido permanente, e em larga escala, para evitar a proliferação do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya.

Nessa quinta-feira (13), por exemplo, o Núcleo de Vigilância Ambiental de Sobradinho visitou o terreno de uma das delegacias da região administrativa. Devido ao período de chuvas, o objetivo foi analisar a possibilidade de focos em carros estacionados no local.

“O combate é permanente e a delegacia é um ponto estratégico monitorado com frequência pela equipe. O trabalho realizado com periodicidade leva em consideração os dados epidemiológicos”, explicou o responsável pelo Núcleo de Vigilância Ambiental de Sobradinho, Roberto Cândido.

Força-tarefa

Mais ações estão em curso no Distrito Federal. Uma nova força-tarefa será realizada neste sábado (15) para combater a proliferação do vetor transmissor da dengue. Desta vez, a mobilização será realizada nas regiões administrativas do Riacho Fundo I, Fercal, Sobradinho II, Vila Planalto e Arapoanga.

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