Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) revelou os bastidores de uma das organizações criminosas mais audaciosas do centro do país. O grupo construiu um túnel subterrâneo a partir de uma oficina mecânica de fachada para desviar mais de 100 mil litros de combustível diretamente de um oleoduto da Petrobras. A fraude gerou um rombo estimado em R$ 16 milhões apenas em sonegação de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).
Agora, os investigadores concentram esforços na Operação Estige para mapear e identificar os receptadores do material, que abasteciam postos e transportadoras da região.
O esquema subterrâneo no Distrito Federal
O plano criminoso uniu engenharia clandestina e logística de grande porte. Os suspeitos alugaram um galpão no DF simulando uma oficina mecânica para esconder a movimentação de caminhões e ferramentas.
Abaixo do solo, a quadrilha cavou um túnel de alta precisão até atingir a tubulação da estatal. Com técnicas de trepanação — técnica que permite perfurar tubulações sob pressão sem interromper o fluxo do produto —, o grupo instalou válvulas clandestinas para extrair óleo diesel e gasolina sem chamar a atenção dos sistemas automáticos de monitoramento da Petrobras.
Prejuízo fiscal: além do risco iminente de desastre ambiental e explosões, o esquema causou um impacto financeiro severo no Distrito Federal, desviando cerca de R$ 16 milhões que deveriam ser arrecadados em impostos locais.
Desdobramentos da investigação e prisões
A PCDF efetuou prisões em flagrante durante o fim de semana e apreendeu veículos modificados para o transporte do insumo roubado. A nova fase do inquérito foca no fechamento do cerco contra a rede de distribuição. De acordo com as autoridades, postos de combustíveis e empresas de transporte de carga que adquiriam o produto por valores muito abaixo do mercado estão sob auditoria e podem responder por receptação qualificada e crimes contra a ordem econômica.
