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Winter

Na Bélgica, pesquisa com lhama pode ajudar na cura da Covid-19

Redação

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Foto/Imagem: Tim Coppens
Carlos Serrano

Winter não sabe, mas uma equipe de cientistas tem a esperança de que ela se torne uma heroína e ajude a humanidade.

Essa lhama, que vive em rancho de um laboratório da Bélgica, guarda em suas células um elemento que pode ser promissor no tratamento contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Uma pesquisa recente feita em laboratório revelou que um tipo de anticorpo desenvolvido pelas lhamas pode combater de maneira efetiva a infecção causada pelo Sars-Cov-2, nome oficial do novo coronavírus. A pesquisa, porém, ainda está em fase inicial e pode demorar para ser concluída. E, para que um remédio se torne realidade, o anticorpo precisa ser testado em humanos, o que não deve acontecer tão cedo.

Os pesquisadores se sentem otimistas, informou o cientista Daniel Wrapp à BBC Mundo. Ele atua no Departamento de ciências moleculares da Universidade do Texas, em Austin, nos Estados Unidos, e é o principal autor do estudo.

Mas afinal, o que faz a Winter ser tão especial na luta contra o novo coronavírus?

Nanocorpos

A história com a lhama Winter (inverno, em inglês) começou em 2016, quando ela tinha apenas meses de vida.

Na época, cientistas da Universidade de Texas e da Universidade de Gante, na Bélgica, escolheram Winter para investigar o Sars-Cov-1 e o MERS-Cov, que são coronavírus da mesma família do Sars-Cov-2.

Os estudiosos descobriram que quando o sistema imune das lhamas detecta um invasor externo, como um vírus ou uma bactéria, o seu organismo produz um anticorpo do tamanho de um quarto do tipo de anticorpo que é desenvolvido pelos humanos.

Por isso, os cientistas os chamam de “nanocorpos”. Outros camelídeos, como alpacas e os camelos, também desenvolvem nanocorpos.

Os tubarões também desenvolvem esses elementos. Porém, é mais fácil lidar com uma lhama do que com um tubarão, explica Wrapp.

O sistema imunológico dos humanos não produz esses nanocorpos. A vantagem dos nanocorpos é que em razão do tamanho, se agarram mais facilmente às proteínas do coronavírus, que fazem com que o Sars-Cov-2 ataque as células do corpo humano.

No experimento de 2016, os investigadores injetaram as proteínas que envolvem o Sars-Cov-1 e o MERS-Cov em Winter e notaram que os nanocorpos desenvolvidos pela lhama mostraram uma boa capacidade para deter a infecção do Sars-Cov-1.

Quatro anos depois, diante da pandemia do novo coronavírus, Wrapp e sua equipe fizeram novos experimentos para testar o nível de eficácia dos nanocorpos contra o Sars-Cov-2.

Inspirados nos nanocorpos de Winter, Wrapp e sua equipe desenvolveram um tipo de anticorpo para enfrentar o novo coronavírus.

Os resultados iniciais dos testes apontam que o nanocorpo pode neutralizar a proteína do Sars-Cov-2 que ataca o organismo humano.

“Esperamos que esse anticorpo possa servir como um tratamento para reduzir a carga do novo coronavírus e os sintomas da covid-19”, disse Wrapp.

Proteção imediata

Esta descoberta pode levar à criação de um tratamento no qual são injetados os anticorpos em uma pessoa saudável para que ela se proteja de um possível contágio pelo novo coronavírus. Esse tratamento também pode fazer com que uma pessoa já infectada receba os anticorpos e seus sintomas da doença sejam menores.

Essa proteção imediata, dizem os pesquisadores, seria um grande benefício para as pessoas que, algumas vezes, não reagem bem às vacinas. Também podem beneficiar trabalhadores da saúde que estão em constante risco de contágio.

Os estudos com lhamas

De acordo com Wrapp, não é muito comum fazer experimentos com lhamas. No entanto, o objetivo do estudo era analisar um animal que gerasse uma resposta imune distinta à dos humanos.

Agora que já sabem que os nanocorpos das lhamas mostram resultados promissores, Wrapp e sua equipe se preparam para começar as provas com outros animais como porquinhos-da-índia ou primatas, mais parecidos com os humanos.

“Se tudo sair perfeito e chegarmos à etapa de fazer provas em humanos, poderemos ter uma droga aprovada em um ano”, diz Wrapp.

O processo de passar de uma prova de laboratório para ensaios em humanos pode demorar vários anos, mas em meio à pressão causada pelo novo coronavírus, o pesquisador acredita que esse procedimento pode acontecer em tempo recorde.

“Queremos assegurar que temos algo seguro e efetivo antes de aplicarmos em humanos”, diz. “É preciso ser cauteloso, porque há uma grande diferença entre ensaios em um laboratório e a resposta imune entre os humanos”.

Um longo caminho

Matthew DeLisa, diretor do Instituto de Biotecnología da Universidade de Cornell, em Nova York, afirma que o estudo com a lhama “tem um enfoque distinto”.

“É certo que as lhamas não são os animais mais comuns em estudos experimentais. Porém, nos últimos anos elas se tornaram muito populares como fontes de anticorpos, especialmente por conta dos nanocorpos”, diz DeLisa, que participa desses estudos, à BBC Mundo.

DeLisa, no entanto, ressalta que há “um longo caminho pela frente” para que esses anticorpos sejam aprovados em tratamentos com humanos.

“Essa não é uma terapia padrão. É preciso demonstrar que é seguro e eficaz usar anticorpos de lhamas em humanos”, diz o pesquisador. Segundo ele, as pesquisas devem ir além dos testes in vitro — fase preliminar das pesquisas, em ambientes controlados e fechados de um laboratório.

O especialista ressalta que é fundamental que sejam feitos mais estudos sobre o tema.

“Não é suficiente que seja apenas uma equipe para encontrar os nanocorpos. Necessitamos que haja muitas equipes desenvolvendo muitos tipos de anticorpos, com a esperança de que ao menos um seja útil contra o novo coronavírus”, declara.

Enquanto os cientistas avançam nos estudos de anticorpos contra o novo coronavírus, Winter, hoje com quatro anos, segue pastando tranquilamente nos campos da Bélgica.

“Ela está muito bem. Desfrutando de um merecido descanso”, diz Wrapp.

Sem ação do homem

Ar mais puro da Terra está sobre o Oceano Antártico, diz estudo

Redação

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Redação
Foto/Imagem: Alexandre Meneghini/Reuters

Cientistas norte-americanos dizem ter encontrado o ar mais limpo do mundo, livre de partículas causadas pela atividade humana, na região do Oceano Antártico, que banha a Antártida. O estudo inédito, que observou um ar “verdadeiramente intocado”, baseou-se na análise de bioaerossóis, partículas que contêm organismos vivos libertadas pelos ecossistemas terrestres e marinhos na atmosfera.

“Os aerossóis presentes nas propriedades das nuvens do Oceano Antártico estão fortemente ligados aos processos biológicos do oceano, e a Antártida parece estar isolada da dispersão de micro-organismos e da deposição de nutrientes vindos dos continentes do Sul”, explicou em comunicado Thomas Hill, coautor da publicação.

A bordo de uma embarcação que rumou a sul desde a Austrália até ao gelo da Antártida, os cientistas da Universidade do Colorado recolheram amostras do ar ao nível da água, por ser a parte da atmosfera que tem contacto direto com o oceano e que alimenta as nuvens mais baixas.

Depois de examinarem a composição dos organismos transportados pelo ar, que são encontrados na atmosfera e muitas vezes são trazidos pelo vento desde regiões a quilômetros de distância, os cientistas concluíram que as origens desses organismos vinham do oceano, e não de continentes distantes.

A ausência de aerossóis vindos de massas terrestres distantes e de atividades humanas, resultantes da poluição provocada pela queima de combustíveis fósseis, plantação de determinadas culturas, uso de fertilizantes ou águas poluídas, não tendem, portanto, a viajar pelo ar até à Antártida, conclui a investigação.

“No fundo, o estudo sugere que o Oceano Antártico é um dos muito poucos sítios na Terra que foi minimamente afetado pelas atividades antropogénicas (derivadas de atividades humanas)”, sublinhou o coautor Thomas Hill. O estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, descreve o ar da região como “verdadeiramente intocado”.

Os cientistas defendem que os resultados revelam uma grande diferença em relação a todos os outros estudos feitos em oceanos, tanto no hemisfério norte como nos subtrópicos, nos quais foram encontrados micróbios trazidos pelo vento desde outros continentes.

A poluição atmosférica já é uma crise de saúde pública global que mata sete milhões de pessoas a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Vários estudos comprovaram que essa poluição aumenta o risco de doenças cardíacas e cancro dos pulmões.

Mais de 80% das pessoas que vivem em áreas urbanas onde a poluição do ar é monitorizada estão expostas a níveis de qualidade do ar que excedem os limites definidos pela OMS, sendo que os países com economias mais frágeis são os mais afetados.

Outros estudos já revelaram que a poluição do ar pode espalhar-se de tal forma que acaba por afetar milhares de pessoas a muitos quilômetros de distância do local onde foi originada.

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Forças Armadas dos EUA

Pentágono prevê vacina contra a Covid-19 até o final deste ano

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Foto/Imagem: Dado Ruvic/Reuters

A diretora do Programa de Pesquisa de Doenças Infecciosas das Forças Armadas dos Estados Unidos (EUA), coronel Wendy Sammons-Jackson, disse que é razoável esperar que algum tipo de vacina para o novo coronavírus esteja disponível para parte da população norte-americana até o fim deste ano.

O secretário de Defesa, Mark Esper, prometeu, em 15 de maio, que as Forças Armadas norte-americanas e outras áreas do governo iriam, em colaboração com o setor privado, produzir uma vacina em escala para tratar a população do país e seus parceiros pelo mundo até o fim do ano.

Outro pesquisador do Exército, Kayvon Modjarrad, afirmou que os pesquisadores estão aprendendo sobre o novo coronavírus mais rápido do que sobre qualquer outro vírus anteriormente.

“Então, chegar a uma vacina em questão de meses, do conceito até a fase 3 de testes clínicos e com potencial de licenciamento, não tem precedentes. Mas, neste caso, acredito muito que seja possível”.

Pesquisadores disseram que o trabalho envolve empresas como AstraZeneca, Johnson & Johnson, Moderna e Sanofi para desenvolver medicamentos de anticorpos e vacinas. Os militares planejam testar sua própria vacina em pessoas no fim do verão no Hemisfério Norte.

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Avifavir

Rússia anuncia antiviral como promissor contra a Covid-19

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Foto/Imagem: Dimitar Dilkoff/AFP

A Rússia disponibilizará seu primeiro remédio aprovado para o tratamento de pacientes de Covid-19 a partir da próxima semana, disse sua financiadora estatal à Reuters, uma medida que a nação espera diminuir a pressão sobre o sistema de saúde e acelerar a volta à atividade econômica normal.

Os hospitais russos podem começar a dar o remédio antiviral, registrado com o nome Avifavir, aos pacientes a partir de 11 de junho, disse o chefe do fundo soberano RDIF à Reuters em uma entrevista. Ele disse que a empresa responsável pelo remédio o fabricará em quantidade suficiente para tratar cerca de 60 mil pessoas por mês.

Atualmente, não existe vacina para a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, e os testes de vários remédios antivirais em humanos ainda não comprovaram sua eficiência.

Um novo remédio antiviral da Gilead, chamado Remdesivir, se mostrou promissor em alguns testes pequenos de eficiência contra Covid-19 e está sendo dado a pacientes de alguns países seguindo regras de uso compassivo ou emergencial.

O Avifavir, conhecido genericamente como Favipiravir, foi desenvolvido inicialmente nos anos 1990 por uma empresa japonesa comprada mais tarde pela Fujifilm quando esta migrou para o setor de saúde.

O chefe do RDIF, Kirill Dmitriev, disse que cientistas russos modificaram o remédio para otimizá-lo e que Moscou estará pronta para compartilhar os detalhes destas modificações dentro de duas semanas.

O Japão vem testando o mesmo medicamento, conhecido lá como Avigan. O primeiro-ministro, Shinzo Abe, o elogiou e lhe concedeu o equivalente a 128 milhões de dólares de financiamento estatal, mas ainda não aprovou seu uso.

O Avifavir apareceu em uma lista de remédios aprovados pelo governo russo no sábado.

Dmitriev disse que testes clínicos do remédio foram realizados com 330 pessoas e que mostraram que ele tratou o vírus com sucesso dentro de quatro dias na maioria dos casos.

Os testes devem ser concluídos em cerca de uma semana, disse ele, mas o Ministério da Saúde aprovou o uso do medicamento graças a um processo acelerado especial e a fabricação começou em março.

Dmitriev disse que a Rússia conseguiu reduzir o cronograma dos testes, que costumam durar muitos meses, porque o genérico japonês no qual o Avifavir se baseou foi registrado em 2014 e passou por testes consideráveis antes de especialistas russos o modificarem.

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