A corrida pelo Palácio do Buriti nas Eleições 2026 desenha um dos cenários mais fragmentados e imprevisíveis da história recente de Brasília. Com o eleitorado do Distrito Federal demonstrando altos índices de indecisão, as principais forças políticas da capital federal já movimentam os bastidores para consolidar seus palanques na disputa para governador do DF.
No topo das intenções de voto aparece a atual governadora Celina Leão (PP), que assumiu o comando pleno da máquina pública e busca a reeleição. Contudo, o caminho para a consolidação de sua candidatura enfrenta turbulências internas na antiga base governista e um racha público com o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB).
O racha na direita e o fator Ibaneis Rocha
Após meses de especulações e trocas de farpas públicas sobre a composição da chapa majoritária para as eleições gerais de 2026, o cenário político sofreu uma reviravolta dramática. Ibaneis Rocha anunciou oficialmente sua desistência de concorrer ao Senado, alegando o desejo de se afastar da vida pública.
Esse recuo aprofunda o isolamento do MDB local, que vinha exigindo protagonismo e espaço na chapa de Celina Leão — agora fortemente alinhada ao PL de Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Sem o peso direto de Ibaneis na urna, a governadora tenta centralizar o voto conservador no DF, mas enfrenta concorrência interna. O senador Izalci Lucas (PL) e o ex-governador José Roberto Arruda (PSD) — cuja candidatura ainda depende de amarras jurídicas — correm por fora para herdar fatias do eleitorado de direita e centro-direita.
A esquerda busca espaço no Distrito Federal
Do outro lado do espectro ideológico, a oposição tenta capitalizar o desgaste da gestão atual para forçar um segundo turno. Leandro Grass (PT), que terminou a disputa de 2022 em segundo lugar, desponta novamente como o principal nome da Federação Brasil da Esperança.
No entanto, analistas políticos apontam que a esquerda ainda enfrenta dificuldades históricas para nacionalizar o debate no DF e transferir a força do governo federal para o ambiente local. Outros nomes, como Ricardo Cappelli (PSB) e Paula Belmonte (PSDB), buscam viabilizar caminhos alternativos para romper a polarização entre o grupo de Celina e o bloco petista.
Alto índice de indecisos deixa cenário aberto
Embora as pesquisas estimuladas mostrem Celina Leão em vantagem, levantamentos de institutos de opinião apontam que mais de 60% dos eleitores do DF permanecem indecisos na modalidade espontânea. Esse vácuo indica que a campanha oficial será decisiva para definir os rumos do Palácio do Buriti.
Fatores como a segurança pública, a saúde no DF e a estabilidade econômica da capital do país serão os principais termômetros utilizados pela população para escolher o próximo governador do Distrito Federal em 2026.