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Combate à Covid-19

Distanciamento social pode, sim, reduzir o número de infectados

Redação

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Foto/Imagem: Victor Moriyama/Getty Images
BBC

Governos de vários Estados do Brasil têm tomado medidas para aumentar o distanciamento social na tentativa de limitar a disseminação do novo coronavírus.

São Paulo e Rio de Janeiro, que concentram o maior volume de casos no país, iniciaram na terça-feira uma (24) quarentena oficial, com fechamento de boa parte do comércio – a exceção são aqueles serviços considerados essenciais, como farmácias e supermercados.

Em São Paulo, a quarentena vale para todo o Estado e vai até o dia 7 de abril, com possibilidade de extensão.

Só terão permissão para funcionar serviços considerados essenciais nas áreas de saúde, segurança e alimentação. Bares, restaurantes e cafés poderão seguir operando com serviços de tele-entrega ou drive thru.

Na cidade do Rio, o fechamento dos estabelecimentos comerciais é, a priori, por tempo indeterminado. Nos demais municípios do Estado, foram suspensos jogos de futebol, sessões de cinema, teatro e festas.

Além da recomendação geral para que pratiquem o distanciamento social, a orientação do Ministério da Saúde, até o momento, é que pessoas com sintomas leves da Covid-19 façam isolamento domiciliar.

Por que o distanciamento social é necessário?

Uma das principais formas de transmissão do novo coronavírus se dá quando alguém tosse ou espirra e, assim, libera gotículas com o agente patogênico, que ficam no ar ou recaem sobre superfícies.

O indivíduo pode ser contaminado ao respirar essas partículas ou após tocar objetos infectados e levar as mãos aos olhos, ao nariz ou à boca.

Quanto menor o contato social, menor a chance de que esses cenários aconteçam e maior a probabilidade de o país conseguir “achatar a curva” de infecção.

Simulação feita pela BBC mostra que, ao reduzir em 50% seu contato social, uma pessoa infectada reduziria seu potencial de contágio de 406 pessoas em um mês para apenas 15 pessoas.

Isso porque estimativas indicam que, a cada cinco dias, uma pessoa com o vírus infecta 2,5 outras. Assim, em um cenário sem nenhuma redução na socialização, o paciente original e aqueles contaminados por ele acabariam por totalizar 406 infecções.

O que outros países estão fazendo?

Países com mais casos confirmados e avanço no número de mortes tomaram medidas ainda mais draconianas do que as adotadas no Brasil.

A Itália, por exemplo, que registra o maior número de vítimas fatais da Covid-19, está em quarentena total desde o dia 9 de março.

No fim de semana, na região da Lombardia, onde faltam leitos nos hospitais para atender todos os doentes, as pessoas foram proibidas inclusive de se exercitarem ao ar livre fora do espaço de suas casas.

Na Espanha, a quarentena proíbe que se saia de casa a não ser para comprar alimentos, medicamentos ou para trabalhar, caso a função seja considerada “essencial”.

Na Bélgica, todas as lojas que vendem bens considerados não essenciais foram fechadas, e a população foi aconselhada a ficar em casa pelo menos até o dia 5 de abril.

Caminhar e se exercitar ao ar livre ainda é permitido, desde que haja um distanciamento de pelo menos dois metros entre as pessoas. Qualquer tipo de evento social está proibido.

A França passa por uma quarentena rigorosa de duas semanas. Lá, quem sair de casa deve portar uma documentação que justifique o descumprimento da medida. Mais de 100 mil policiais têm patrulhado as ruas para multar em 135 euros (R$ 742) aqueles que a descumprirem.

Encontros com mais de duas pessoas foram proibidos na Alemanha, onde a Covid-19 tem apresentado menor letalidade até o momento. Um Estado, a Bavária, determinou quarentena total para a população.

O Reino Unido, que vinha adotando restrições mais brandas ao deslocamento, anunciou medidas mais duras na segunda-feira (23).

Todas as lojas que vendam produtos considerados não essenciais foram fechadas, assim como bibliotecas e parques. Casamentos e batismos foram proibidos, assim como reuniões com mais de duas pessoas que não residam no mesmo domicílio.

Exercícios físicos ainda são permitidos, mas desde que apenas uma modalidade e desde que feita por um pessoa sozinha ou moradores de uma mesma casa.

A recomendação é que as pessoas evitem ao máximo sair de casa, apenas para comprar bens de primeira necessidade.

O que é isolamento domiciliar?

Significa ficar em casa e não sair para trabalhar, para ir à escola ou frequentar espaços públicos.

Deve-se evitar, inclusive, sair para comprar alimentos ou outros bens de primeira necessidade.

Por ora, a recomendação do Ministério da Saúde é que aqueles que apresentam sintomas leves de Covid-19 optem pelo isolamento domiciliar e só procurem um hospital caso o quadro piore e o indivíduo, além de febre e tosse, também sinta falta de ar.

Se houver confirmação do diagnóstico, todos os moradores da casa devem se isolar por 14 dias para monitorar o aparecimento de possíveis sinais de Covid-19.

A pessoa doente, por sua vez, deve ficar em um quarto separado, com boa ventilação.

Caso outro familiar também inicie com sintomas leves durante esse período, ele deve reiniciar o isolamento de 14 dias.

O Ministério da Saúde também tem recomendado que aqueles com mais de 60 anos evitem sair de casa, já que são a parcela da população mais vulnerável ao novo coronavírus.

No último dia 17, o governo brasileiro aprovou uma lei que abre a possibilidade de isolamento compulsório de “pessoas doentes ou contaminadas”.

Brasil

Recuperados da Covid são quase 7 vezes maior que o nº de mortos

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Foto/Imagem: Sergei Karpukhin/TASS

De acordo com o último boletim do Ministério da Saúde divulgado nesta sexta-feira (30), o Brasil chegou a 189.476 pacientes recuperados da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. Com isso, o total de pessoas que venceram a doença é quase sete vezes maior que o número de óbitos registrados.

Os infectados pelo vírus somam 465.166 casos confirmados. Desse total, 247.812 pessoas estão em acompanhamento. O país registrou ainda, 1.124 novas mortes, totalizando 27.878. A taxa de letalidade está em 6%.

Ranking

Em número de casos confirmados, o ranking tem São Paulo (101.556), Rio de Janeiro (47.953), Amazonas (38.909), Ceará (38.395) e Pará (36.486). Entre as unidades da federação com mais pessoas infectadas estão ainda Pernambuco (32.255), Maranhão (30.482), Bahia (16.917), Espírito Santo (12.903) e Paraíba (12.011).

Mortes

São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no país, concentrando o maior número de óbitos (7.275). O estado é seguido pelo Rio de Janeiro (5.079), Ceará (2.859), Pará (2.827) e Pernambuco (2.669).

Além disso, foram registradas mortes no Amazonas (2.011), Maranhão (911), Bahia (609), Espírito Santo (560), Alagoas (406), Paraíba (327), Rio Grande do Norte (268), Minas Gerais (257), Rio Grande do Sul (213), Amapá (207), Paraná (173), Distrito Federal (154), Piauí (146), Rondônia (145), Sergipe (142), Acre (135), Santa Catarina (134), Goiás (119), Roraima (108), Tocantins (70), Mato Grosso (56) e Mato Grosso do Sul (18).

Continue me casa. Se precisar sair, use máscara.

Isso tudo vai passar!

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Sala de Situação

GDF tem 322 leitos de UTI e 504 de enfermaria para tratar a Covid

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Foto/Imagem: Breno Esaki/Secretaria de Saúde

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal possui, em 16 hospitais da rede pública, 3.682 leitos gerais de enfermarias registrados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e 359 leitos gerais de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Para o tratamento do novo coronavírus Sars-CoV-2, a Secretaria de Saúde possui um total de 504 leitos de enfermarias, divididos entre o Hospital Regional da Asa Norte (327) e o Hospital de Campanha do Mané Garrincha (177). Nesta sexta-feira (29), às 11h05, havia 184 leitos de enfermaria ocupados por pacientes com Covid-19 ou suspeita, uma taxa de ocupação de 36,51%.

Para os casos mais graves, são 322 leitos públicos (UTI Covid-19) disponíveis para os pacientes do coronavírus com com suporte de ventilação mecânica. Destes, 130 estavam ocupados e 192 reservados até a última atualização às 11h25 desta sexta-feira (29), na Sala de Situação. A taxa de ocupação representa 40,37%.

Rede privada

Além dos leitos Covid-19 da rede pública de Saúde (que inclui os próprios da rede, conveniados e os contratados na rede privada), a rede de hospitais privados dispõe de 212 leitos de UTI para atender os pacientes acometidos pela doença, estando 143 ocupados, 4 bloqueados e 65 vagos, com taxa de ocupação de 69,34%. Os dados foram atualizados na Sala de Situação, às 11h25.

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Daniel Novais

Obesidade é grande fator de risco para agravamento da Covid-19

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Foto/Imagem: Freepik

Recentes estudos consideram a obesidade, juntamente com a idade, como um dos maiores fatores de hospitalização e agravamento por Covid-19. A obesidade diminui as ações anti-inflamatórias do organismo e compromete a eficiência do sistema imunológico, deixando a pessoa mais vulnerável ao vírus.

Só para se ter uma ideia, muito antes da pandemia, a obesidade já atingia cerca de 600 milhões de adultos e 100 milhões de crianças ao redor do mundo, causando milhões de mortes por ano. No Brasil, já acometia um em cada cinco habitantes, sendo que mais da metade da população está acima do peso normal.

“Uma alimentação saudável pode ser uma grande aliada na conquista de mais qualidade de vida, saúde e bem-estar. O consumo diário de alimentos mais saudáveis e a prática de atividades regulares evitam uma série de doenças crônicas causadas pela obesidade.Cuidar da saúde é primordial, independente do momento em que estamos passando”, explica o nutricionista Daniel Novais.

Vale alertar que vários fatores aumentam o risco de pessoas com obesidade diante do novo coronavírus. O excesso de peso tem grande relação com outras doenças metabólicas, como a diabetes tipo 2 e a hipertensão arterial, ambas muito frequentes entre pacientes com a forma mais grave de Covid-19.

Mudança de comportamento

Nunca é tarde para cuidar da saúde: o importante é procurar um profissional qualificado para seguir orientações personalizadas, direcionadas a cada caso. É importante, também, não cair em armadilhas: com a quarentena, notou-se um aumento na compra de alimentos ultraprocessados, com muitos aditivos e baixa qualidade nutricional. Esse tipo de alimento tem uma validade maior e são mais fáceis de serem estocados. Simultaneamente, houve uma redução no consumo de frutas, verduras e legumes, alimentos que precisam ser repostos com maior frequência, são perecíveis e precisam ser higienizados, e em alguns casos, exigem uma certa habilidade para realizar o preparo.

Para o nutricionista Daniel Novais durante esse período é preciso ter muita atenção ao estilo de vida, cuidar da alimentação, do sono e realizar prática esportiva, mesmo que seja em casa.

“Com o isolamento, estamos mais ansiosos, inseguros, com menos prazeres e nos mexendo menos. Estas condições contribuem para aumentar a buscar por outros estímulos, o que muitas vezes implica em um maior consumo de alimentos e de álcool e na piora da qualidade alimentar”, comenta o nutricionista.

Atitudes simples são eficazes para manter uma rotina saudável. Confira 7 dicas elaboradas pelo nutricionista Daniel Novais:

1. Prefira alimentos naturais e minimamente processados. Arroz, feijão, frutas, legumes, verduras, leite, carnes e ovo. Comida de verdade!

2. Fique atento aos alimentos ultraprocessados. O consumo em excesso de salgadinhos, refrigerantes, biscoitos e outros está associado a obesidade e várias outras doenças.

3. Comer por razões emocionais é normal, mas tenha em mente que por não ser fome, a vontade passa. Procure estratégias para lidar com as emoções sem recorrer à comida.

4. Evite alimentos refinados, ricos em açúcar e gordura, principalmente a noite. Esses alimentos não saciam, estimulam o pico insulínico e geram mais vontade de comer.

5. Aproveite para introduzir novos hábitos, experimentar alimentos, preparações e receitas.

6. Gengibre, cúrcuma, alho, cebola, mel, própolis, pimentas, chocolate amargo, chá verde e muitos vegetais coloridos são anti-inflamatórios, aposte neles.

7. Manter-se hidratado é fundamental. Beba água!

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