Dengue no DF: 45 mil jovens de 10 a 14 anos estão com vacinação incompleta

Ao Vivo de Brasília
Vacina dengue DF
Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) emitiu um importante alerta voltado à imunização do público infantojuvenil. Informações oficiais apontam que cerca de 45 mil jovens entre 10 e 14 anos estão com o esquema vacinal contra a dengue incompleto no DF. Essa lacuna na cobertura preventiva desperta grande preocupação nas autoridades sanitárias, sobretudo diante da aproximação do período de chuvas, estação historicamente marcada pelo aumento expressivo na circulação do mosquito transmissor.

O avanço do sorotipo 3 e o cenário epidemiológico

Além dos desafios sazonais trazidos pelas precipitações, a pasta de saúde monitora atentamente o comportamento do sorotipo 3 da dengue. Entre 2022 e 2024, o Distrito Federal lidou prioritariamente com os sorotipos 1 e 2. No entanto, em 2025 e 2026, embora o total geral de notificações tenha diminuído — registrando 3.696 casos prováveis até meados de outubro de 2026 frente a 10.303 no mesmo recorte de 2025 —, o avanço proporcional do sorotipo 3 nas análises genéticas ligou o sinal amarelo.

A vacina ofertada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) protege contra os quatro sorotipos do vírus (1, 2, 3 e 4). Contudo, a proteção ideal só é alcançada quando o ciclo completo de doses é rigorosamente seguido.

Orientações essenciais e cuidados preventivos

Especialistas da saúde pública destacam que a vacinação é uma ferramenta indispensável para evitar formas graves da infecção e internações hospitalares, mas ela não anula a necessidade de combater o vetor.

Para proteger a comunidade e mitigar riscos, a SES-DF recomenda:

  • Esquema vacinal em dia: pais e responsáveis devem conduzir os adolescentes aos postos de saúde para finalizar a imunização com a dose pendente.

  • Eliminação de criadouros: o imunizante não substitui as medidas domiciliares de controle do Aedes aegypti. Evitar água parada em vasos, calhas e recipientes continua sendo obrigação de todos.

  • Ações governamentais: o GDF atua o ano inteiro através da Vigilância Ambiental com armadilhas, eliminação de larvas e a soltura inovadora de mosquitos inoculados com a bactéria Wolbachia.

  • Atenção aos sintomas e perigo da automedicação: febre, dores musculares, cansaço intenso e dor atrás dos olhos exigem atendimento médico. A gerente de Vigilância das Doenças Transmissíveis, Aline Folle, reforça: “É importante que as pessoas não tomem medicamentos por conta própria porque há remédios que podem agravar a situação.”

Garantir que a população jovem complete o ciclo vacinal representa um escudo coletivo indispensável para a segurança sanitária de Brasília neste período de transição climática.

Compartilhar notícia