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Protótipo

Covid-19: teste de vacina protege macacos e anima pesquisadores

Redação

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Foto/Imagem: Arte/AVB
New York Times

Um protótipo de vacina protegeu macacos do coronavírus, relataram pesquisadores na última quarta-feira (20). O resultado sugere um caminho para a criação de uma vacina que seja eficaz em seres humanos.

Os cientistas já estão testando vacinas contra o coronavírus em pessoas, mas os testes iniciais foram projetados para determinar a segurança, não o desempenho de uma vacina. A pesquisa publicada na revista Science oferece informações sobre o que uma vacina deve fazer para ser eficaz e como medir isso.

A pesquisa, liderada pelo virologista Dan Barouch, do Beth Israel Deaconess Medical Center, em Boston, começou avaliando se os macacos se tornam imunes ao vírus depois de ficarem doentes. A equipe infectou nove macacos rhesus não vacinados com o novo coronavírus. Os macacos desenvolveram sintomas que se assemelhavam a um caso moderado de Covid-19, incluindo uma inflamação nos pulmões que se transformou em pneumonia. Após alguns dias, se recuperaram.

Barouch e seus colegas descobriram que os animais começaram a produzir anticorpos contra o patógeno. Alguns deles acabaram sendo os chamados anticorpos neutralizantes, o que significa que eles impediram o vírus de entrar nas células e se reproduzir.

Trinta e cinco dias após a inoculação dos macacos, os pesquisadores realizaram um novo teste, pulverizando uma segunda dose do coronavírus no nariz dos animais. Os macacos produziram uma onda de anticorpos neutralizantes protetores. O coronavírus conseguiu estabelecer uma pequena infecção no nariz do macaco, mas logo foi eliminado.

— Para mim, isso é convincente de que uma vacina é possível — disse o Dr. Nelson Michael, diretor do Centro de Pesquisa de Doenças Infecciosas do Instituto de Pesquisa do Exército Walter Reed.

Corrida contra o tempo

Os cientistas estão envolvidos em uma disputa mundial para criar uma vacina contra o novo coronavírus. Mais de cem projetos de pesquisa foram lançados. Os primeiros testes de segurança em humanos foram iniciados ou concluídos em nove deles.

Na etapa seguinte rumo à aprovação de uma vacina, acontecem ensaios maiores para determinar se as candidatas não são apenas seguras, mas eficazes. Mas esses resultados devem chegar em alguns meses.

Barouch está trabalhando em parceria com a Johnson & Johnson, que corre para produzir uma vacina contra o coronavírus. Ela usa um vírus especialmente modificado, chamado Ad26, desenvolvido pelo médico.

Publicada na revista Science, a nova pesquisa em macacos “estabelece as bases científicas” para esses esforços, disse Barouch. Em março, os Estados Unidos ofereceram US$ 450 milhões à Janssen Pharmaceuticals, uma divisão da Johnson & Johnson, para criar uma vacina contra o Sars-Cov-2.

Entenda o experimento

Os resultados dos testes em macacos não significam necessariamente que os humanos também desenvolvem imunidade forte e duradoura ao coronavírus. Ainda assim, Barouch e outros acharam a pesquisa encorajadora.

— Se fizéssemos o estudo do novo teste e ele não desse certo, a implicação seria que todo o esforço da vacina falharia — disse ele. — Seria uma notícia muito, muito ruim para sete bilhões de pessoas.

Em um experimento separado, o Barouch e seus colegas testaram protótipos de vacinas em macacos rhesus. Cada macaco recebeu pedaços de DNA, que suas células se transformaram em proteínas virais projetadas para treinar o sistema imunológico a reconhecer o vírus.

Tanto macacos quanto humanos produzem anticorpos neutralizantes contra os coronavírus que têm como alvo uma parte em particular: uma proteína que cobre a superfície do vírus, chamada proteína spike.

A maioria das vacinas contra o coronavírus se destina a persuadir o sistema imunológico a produzir anticorpos que se prendem à proteína e a destruir o vírus. Barouch e seus colegas experimentaram seis variações.

Os pesquisadores deram cada vacina a quatro ou cinco macacos. Eles permitem que os macacos desenvolvam uma resposta imune por três semanas e depois pulverizam vírus nos narizes.

Algumas das vacinas ofereciam apenas proteção parcial. O vírus não foi totalmente eliminado dos pulmões ou narizes dos animais, embora os níveis fossem mais baixos do que nos macacos não vacinados.

Mas outras vacinas funcionaram melhor. A que funcionou melhor treinou o sistema imunológico para reconhecer e atacar toda a proteína. Em oito macacos, os pesquisadores não conseguiram detectar o vírus.

— Eu acho que no geral isso será visto como uma notícia muito boa para o esforço da vacina — disse Barouch. — Isso aumenta nosso otimismo de que uma vacina para o Covid-19 será possível.

Florian Krammer, virologista da Escola de Medicina Icahn, no Monte Sinai, em Nova York, que não participou do estudo, disse que os níveis de anticorpos observados nos macacos são promissores.

— Isso é algo que protegeria o organismo de doenças — disse ele. — Não é perfeito, mas você certamente vê proteção.

Barouch e seus colegas descobriram uma forte conexão entre os anticorpos neutralizantes e a eficácia da vacina: as vacinas que davam aos macacos uma proteção mais forte produziam mais anticorpos neutralizantes.

Duas equipes de vacinas — uma na Universidade de Oxford e outra na empresa chinesa Sinovac — testaram vacinas em macacos rhesus. Neste mês, eles informaram que suas vacinas também ofereciam proteção aos animais.

Essa relação poderia ajudar os cientistas a realizar testes de segurança em humanos. Os pesquisadores podem ser capazes de obter algumas pistas precoces sobre se as vacinas são eficazes. O objetivo é encontrar a dose mais baixa que oferece a maior proteção.

Malcolm Martin, um virologista do Instituto Nacional de Saúde que não participou do estudo, alertou que os macacos são diferentes dos humanos em aspectos importantes. Os animais não vacinados neste estudo não desenvolveram nenhum dos sintomas graves que algumas pessoas apresentam após uma infecção por coronavírus.

— Parece que eles estão resfriados — disse Martin.

Lisa Tostanoski, um pós-doutorando que trabalha com o Dr. Barouch e co-autor do novo estudo, observou que o experimento oferece apenas um vislumbre de como a vacina funciona três semanas após a injeção. É possível que as vacinas possam defender os macacos por muitos anos, ou perder eficácia muito mais cedo. E o prazo de sua eficácia pode determinar se as pessoas precisarão de apenas uma injeção de vacina ou mais.

— A cada três anos é possível pensar — disse Krammer. — Isso não significa que uma vacina não funcione.

Sem ação do homem

Ar mais puro da Terra está sobre o Oceano Antártico, diz estudo

Redação

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Foto/Imagem: Alexandre Meneghini/Reuters

Cientistas norte-americanos dizem ter encontrado o ar mais limpo do mundo, livre de partículas causadas pela atividade humana, na região do Oceano Antártico, que banha a Antártida. O estudo inédito, que observou um ar “verdadeiramente intocado”, baseou-se na análise de bioaerossóis, partículas que contêm organismos vivos libertadas pelos ecossistemas terrestres e marinhos na atmosfera.

“Os aerossóis presentes nas propriedades das nuvens do Oceano Antártico estão fortemente ligados aos processos biológicos do oceano, e a Antártida parece estar isolada da dispersão de micro-organismos e da deposição de nutrientes vindos dos continentes do Sul”, explicou em comunicado Thomas Hill, coautor da publicação.

A bordo de uma embarcação que rumou a sul desde a Austrália até ao gelo da Antártida, os cientistas da Universidade do Colorado recolheram amostras do ar ao nível da água, por ser a parte da atmosfera que tem contacto direto com o oceano e que alimenta as nuvens mais baixas.

Depois de examinarem a composição dos organismos transportados pelo ar, que são encontrados na atmosfera e muitas vezes são trazidos pelo vento desde regiões a quilômetros de distância, os cientistas concluíram que as origens desses organismos vinham do oceano, e não de continentes distantes.

A ausência de aerossóis vindos de massas terrestres distantes e de atividades humanas, resultantes da poluição provocada pela queima de combustíveis fósseis, plantação de determinadas culturas, uso de fertilizantes ou águas poluídas, não tendem, portanto, a viajar pelo ar até à Antártida, conclui a investigação.

“No fundo, o estudo sugere que o Oceano Antártico é um dos muito poucos sítios na Terra que foi minimamente afetado pelas atividades antropogénicas (derivadas de atividades humanas)”, sublinhou o coautor Thomas Hill. O estudo, publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, descreve o ar da região como “verdadeiramente intocado”.

Os cientistas defendem que os resultados revelam uma grande diferença em relação a todos os outros estudos feitos em oceanos, tanto no hemisfério norte como nos subtrópicos, nos quais foram encontrados micróbios trazidos pelo vento desde outros continentes.

A poluição atmosférica já é uma crise de saúde pública global que mata sete milhões de pessoas a cada ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Vários estudos comprovaram que essa poluição aumenta o risco de doenças cardíacas e cancro dos pulmões.

Mais de 80% das pessoas que vivem em áreas urbanas onde a poluição do ar é monitorizada estão expostas a níveis de qualidade do ar que excedem os limites definidos pela OMS, sendo que os países com economias mais frágeis são os mais afetados.

Outros estudos já revelaram que a poluição do ar pode espalhar-se de tal forma que acaba por afetar milhares de pessoas a muitos quilômetros de distância do local onde foi originada.

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Forças Armadas dos EUA

Pentágono prevê vacina contra a Covid-19 até o final deste ano

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Foto/Imagem: Dado Ruvic/Reuters

A diretora do Programa de Pesquisa de Doenças Infecciosas das Forças Armadas dos Estados Unidos (EUA), coronel Wendy Sammons-Jackson, disse que é razoável esperar que algum tipo de vacina para o novo coronavírus esteja disponível para parte da população norte-americana até o fim deste ano.

O secretário de Defesa, Mark Esper, prometeu, em 15 de maio, que as Forças Armadas norte-americanas e outras áreas do governo iriam, em colaboração com o setor privado, produzir uma vacina em escala para tratar a população do país e seus parceiros pelo mundo até o fim do ano.

Outro pesquisador do Exército, Kayvon Modjarrad, afirmou que os pesquisadores estão aprendendo sobre o novo coronavírus mais rápido do que sobre qualquer outro vírus anteriormente.

“Então, chegar a uma vacina em questão de meses, do conceito até a fase 3 de testes clínicos e com potencial de licenciamento, não tem precedentes. Mas, neste caso, acredito muito que seja possível”.

Pesquisadores disseram que o trabalho envolve empresas como AstraZeneca, Johnson & Johnson, Moderna e Sanofi para desenvolver medicamentos de anticorpos e vacinas. Os militares planejam testar sua própria vacina em pessoas no fim do verão no Hemisfério Norte.

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Avifavir

Rússia anuncia antiviral como promissor contra a Covid-19

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Foto/Imagem: Dimitar Dilkoff/AFP

A Rússia disponibilizará seu primeiro remédio aprovado para o tratamento de pacientes de Covid-19 a partir da próxima semana, disse sua financiadora estatal à Reuters, uma medida que a nação espera diminuir a pressão sobre o sistema de saúde e acelerar a volta à atividade econômica normal.

Os hospitais russos podem começar a dar o remédio antiviral, registrado com o nome Avifavir, aos pacientes a partir de 11 de junho, disse o chefe do fundo soberano RDIF à Reuters em uma entrevista. Ele disse que a empresa responsável pelo remédio o fabricará em quantidade suficiente para tratar cerca de 60 mil pessoas por mês.

Atualmente, não existe vacina para a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, e os testes de vários remédios antivirais em humanos ainda não comprovaram sua eficiência.

Um novo remédio antiviral da Gilead, chamado Remdesivir, se mostrou promissor em alguns testes pequenos de eficiência contra Covid-19 e está sendo dado a pacientes de alguns países seguindo regras de uso compassivo ou emergencial.

O Avifavir, conhecido genericamente como Favipiravir, foi desenvolvido inicialmente nos anos 1990 por uma empresa japonesa comprada mais tarde pela Fujifilm quando esta migrou para o setor de saúde.

O chefe do RDIF, Kirill Dmitriev, disse que cientistas russos modificaram o remédio para otimizá-lo e que Moscou estará pronta para compartilhar os detalhes destas modificações dentro de duas semanas.

O Japão vem testando o mesmo medicamento, conhecido lá como Avigan. O primeiro-ministro, Shinzo Abe, o elogiou e lhe concedeu o equivalente a 128 milhões de dólares de financiamento estatal, mas ainda não aprovou seu uso.

O Avifavir apareceu em uma lista de remédios aprovados pelo governo russo no sábado.

Dmitriev disse que testes clínicos do remédio foram realizados com 330 pessoas e que mostraram que ele tratou o vírus com sucesso dentro de quatro dias na maioria dos casos.

Os testes devem ser concluídos em cerca de uma semana, disse ele, mas o Ministério da Saúde aprovou o uso do medicamento graças a um processo acelerado especial e a fabricação começou em março.

Dmitriev disse que a Rússia conseguiu reduzir o cronograma dos testes, que costumam durar muitos meses, porque o genérico japonês no qual o Avifavir se baseou foi registrado em 2014 e passou por testes consideráveis antes de especialistas russos o modificarem.

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