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Além dos pulmões

Covid-19 também pode afetar o cérebro: quais as consequências?

Redação

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Foto/Imagem: Tatiana Makeeva/Sputnik


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Da perda de olfato a Acidente Vascular Cerebral (AVC), sintomas da Covid-19 variam muito nos pacientes. Mas dados crescentes que o vírus pode entrar no cérebro têm causado muita apreensão aos neurologistas, alerta o portal científico Trust My Science.

A Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus Sars-CoV-2, afeta os indivíduos de diferentes formas, desenvolvendo na maioria das pessoas infectadas uma forma leve a moderada da enfermidade, com os pacientes se recuperando sem necessidade de hospitalização.

No entanto, esse nem sempre é o caso, e quando o vírus penetra no cérebro pode causar complicações muito graves e deixar sequelas para o resto da vida.

Danos cerebrais

Foi no início da epidemia em Nova York que a neurologista Jennifer Frontera e seus colegas começaram a notar sintomas neurológicos em pessoas com Covid-19, tais como desmaios, convulsões e derrames.

Outros sintomas neurológicos pareciam mais leves, como a perda do olfato e do paladar. Houve, contudo, quem desenvolvesse encefalite, uma inflamação potencialmente fatal do cérebro.

Esta foi uma descoberta surpreendente para uma doença que se pensava originalmente atacar as vias aéreas, acabando a perda de paladar e olfato adicionada à lista oficial de sintomas da OMS.

Como o novo coronavírus está causando este tipo de sintomas neurológicos. Atacando diretamente os neurônios?

“Se este for o caso, podemos ter que reconsiderar alguns dos tratamentos que estão sendo desenvolvidos para a Covid-19. E, é claro, também precisamos considerar a possibilidade de doenças neurológicas crônicas e de longo prazo em alguns sobreviventes”, observou Frontera, citada pelo portal Trust My Science.

Estudo chinês constatou que 5,6% dos pacientes tiveram perda temporária do paladar, enquanto 5,1% tiveram perda temporária do olfato.

Mas relatórios europeus apontam que cerca de 86% experimentaram alguma mudança em sua capacidade de cheirar e 89% tinham uma capacidade reduzida ou distorcida de determinar sabores.

Outros sintomas neurológicos também aparecem, como dores de cabeça e tonturas. Aqueles com doenças mais graves também podem sofrer convulsões e derrames, o mesmo acontecendo em jovens sem histórico clínico.

Uma pesquisa na China constatou que cerca de 6% das pessoas com doença grave desenvolveram uma patologia que afetou o fornecimento de sangue ao cérebro.

“Temos visto AVC e sangramento no cérebro e um punhado de casos de inflamações e lesões cerebrais”, realçou Frontera.

Em algumas doenças, o dano neurológico é um efeito resultante de outros problemas no organismo, não causados por um patógeno que ataque diretamente o sistema nervoso.

Mas na Covid-19 é possível que o vírus entre no cérebro e no sistema nervoso. Nota-se que muitos outros vírus que infectam humanos fazem isso, incluindo outros coronavírus.

Coronavírus no cérebro

O canadense Pierre Talbot estuda coronavírus desde os anos 80. Grande parte de seu trabalho tem se concentrado em dois coronavírus conhecidos por infectar humanos: HCoV-OC43 e HCoV-229E, ambos causadores do resfriado comum.

“Sabemos que ambos podem entrar no sistema nervoso e no cérebro. Quando coloco [o OC43] no nariz de ratos, o vírus vai diretamente ao cérebro através do nervo olfativo”, afirmou Talbot. E, uma vez atingido o cérebro, “ele se espalha por toda a massa encefálica, matando neurônios e podendo causar encefalite”.

Efeitos semelhantes têm sido observados, embora muito raramente, em pessoas infectadas com o coronavírus HCoV-OC43, segundo Talbot.

O coronavírus SARS, que se espalhou em 2002 e 2003, pareceu agir de forma semelhante. Autópsias realizadas após o fim da epidemia revelaram sua presença em todos os cérebros.

Outras hipóteses

“Também é possível que os sintomas neurológicos sejam causados pela falta de oxigênio”, opina Sanjay Mukhopadhyay, da Clínica de Cleveland, em Ohio (EUA).

“Isso também pode explicar porque alguns pacientes que sobreviveram à Covid-19, depois de estarem na UTI em suporte de vida, podem apresentar sinais de danos cerebrais”, observa Frontera.

A resposta imunológica do próprio corpo a uma infecção também pode causar danos ao cérebro: uma reação excessiva do sistema imunológico pode levar ao chamado choque de citocinas, uma ativação extrema das células imunitárias que pode levar a mais inflamação e danos aos órgãos.

Mas, com base nas evidências que temos até agora, “é razoável supor que o vírus entre no cérebro”, diz o neurologista Avindra Nath, que adianta ser “absolutamente essencial que aprendamos como o vírus ataca o cérebro”.

Atualmente, há muitas terapias antivirais em desenvolvimento para a Covid-19 que se concentram nos pulmões. Mas levar medicamentos para o cérebro é um desafio totalmente diferente, por ter de se vencer a barreira hematoencefálica, a camada protetora do cérebro que controla o que pode e o que não pode entrar no cérebro.

“E a maioria dos medicamentos não consegue fazê-lo”, observou Nath.

Sequelas duradouras

Se o vírus chegar ao cérebro, pode ter consequências neurológicas a longo prazo.

Sabe-se que alguns vírus podem se esconder em neurônios e se reativar causando doenças mais tarde na vida. Este é o caso do vírus do herpes simples, que permanece nos neurônios e pode se reativar ao longo da vida.

“Não é impossível que o novo coronavírus possa ter o mesmo tipo de persistência no cérebro”, afirma Talbot, e que “quando reativado, possa causar doenças neurológicas”, acrescentou.

Impacto a longo prazo

Além disso, alguns efeitos neurológicos podem ter um impacto duradouro nas pessoas que se recuperam da Covid-19. Derrames e convulsões podem causar danos cerebrais com consequências a longo prazo, e muitas pessoas que sofrem tais consequências necessitarão de acompanhamento e reabilitação.

Alguns dos pacientes de Frontera que tiveram que usar respiradores artificiais já estão mostrando sinais de sérios danos cerebrais, ao ponto de “a chance de eles acordarem parecer extremamente baixa”, diz ela.

Além de uma perda temporária do olfato e do paladar, a maioria dos efeitos neurológicos parece ocorrer apenas em casos muito graves de Covid-19.

Mas, “mesmo que atinja apenas em uma pequena porcentagem de indivíduos […], não devemos levar isso de ânimo leve”, concluiu Nath.

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Segunda, 13 de julho

Mundo tem mais de 7 milhões de pessoas recuperadas da Covid-19

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recuperados covid coronavirus mundo
Foto/Imagem: Lakruwan Wanniarachchi/AFP

Segundo levantamento da universidade americana Johns Hopkins, até o início da noite desta segunda-feira (13), mais de 7 milhões de pessoas se recuperaram da Covid-19 em todo o mundo.

Ainda de acordo com os dados, o mundo contabiliza 12.995.037 casos do novo coronavírus, com 570.776 mortes.

O Brasil mantém a liderança nas estatísticas com 1.264.843 pacientes recuperados desde o início dos casos. Os Estados Unidos ocupam o segundo lugar mundial, com 1.006.326 pessoas que venceram a Covid-19.

Em terceiro lugar, aparece a Índia, com 553.471 altas notificadas. Rússia (503.168) e Chile (286.556) aparecem na sequência no total de pacientes recuperados.

Vamos vencer essa guerra juntos. Por favor, continue em casa!

Se precisar sair, use máscara.

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Universidade Sechenov

Rússia anuncia sucesso em testes clínicos de vacina contra a Covid

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Foto/Imagem: Dado Ruvic/Reuters

Pesquisadores da Universidade Sechenov, de Moscou, afirmam terem realizado ensaios clínicos bem-sucedidos de uma vacina contra a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Os pesquisadores observaram que os resultados em dois grupos de voluntários comprovam a segurança do medicamento.

“A Universidade Sechenov concluiu com sucesso os testes em voluntários da primeira vacina contra o coronavírus do mundo”, disse Vadim Tarasov, diretor do Instituto de Medicina e Biotecnologias, à agência Sputnik.

O cientista confirmou que os membros do primeiro grupo de voluntários receberão alta no dia 15 de julho e os do segundo grupo no dia 20 de julho.

Aleksandr Lukashev, diretor do Instituto de Parasitologia e Doenças Tropicais e Transmissíveis da Universidade Sechenov, enfatizou a segurança da nova vacina contra a Covid-19. “Esta etapa mostrou que a segurança da vacina […] está em pé de igualdade com a de outras vacinas no mercado”, disse ele.

Elena Smoliarchiuk, diretora do Centro de Estudos Clínicos de Novos Medicamentos da Universidade Sechenov, observou alguns dias atrás que os efeitos colaterais da nova vacina eram os usuais: vermelhidão no local da punção e, em alguns casos, dor de cabeça, febre, irritação na garganta ou dor nas articulações. Nenhum desses efeitos adversos, no entanto, durou mais de um dia ou exigiu intervenção médica.

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Cronologia

Coronavírus em esgoto sugere que vírus já existia antes do surto

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coronavírus
Foto/Imagem: Pixabay

Pesquisadores de pelo menos cinco países, incluindo o Brasil, apontaram a presença do novo coronavírus em amostras de esgoto coletadas semanas ou meses antes do primeiro caso registrado oficialmente na cidade chinesa de Wuhan, epicentro da pandemia de Covid-19.

Mas o que essas descobertas de vírus nas fezes mudam sobre o que sabemos do vírus Sars-CoV-2?

Cientistas indicam três eixos principais:

  • monitoramento: detecções no esgoto podem servir como ferramenta ampla e barata de vigilância do avanço da Covid-19; há ao menos 15 países onde se estuda ou se adota essa estratégia;
  • possível risco à saúde: presença do material genético do vírus nas fezes indica que o esgoto pode ser uma via de contágio;
  • origem da pandemia: o vírus pode ter circulado bem antes do que afirma a cronologia oficial.

Em relação ao terceiro ponto, o estudo que mais chamou a atenção foi liderado por pesquisadores da Universidade de Barcelona. Segundo eles, havia presença do novo coronavírus em amostras congeladas — coletadas na Espanha — de 15 de janeiro de 2020 (41 dias antes da primeira notificação oficial no país) e de 12 de março de 2019 (nove meses antes do primeiro caso reportado na China).

Mas como um vírus com potencial pandêmico poderia ter circulado sem chamar a atenção ou criar uma explosão de casos, como ocorreu em Wuhan? Especialistas citam ao menos cinco hipóteses.

Uma, é que pacientes podem ter recebido diagnósticos errados ou incompletos de doenças respiratórias, algo que teria contribuído para o espalhamento inicial da doença. Outra é que o vírus não tenha se espalhado com força a ponto de originar um surto.

Há também duas possibilidades de problemas na análise: uma eventual contaminação da amostra ou um resultado falso positivo, por causa da similaridade genética com outros vírus respiratórios ou de falhas no kit de teste.

Por fim, há quem fale em um vírus à espera de ativação. Tom Jefferson, epidemiologista ligado ao Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford, afirmou ao veículo britânico The Telegraph que há um número crescente de evidências que apontam que o Sars-CoV-2 estava espalhado pelo mundo antes de emergir na Ásia. “Talvez estejamos vendo um vírus dormente que foi ativado por condições ambientais.”

Para o virologista Fernando Spilki, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, é preciso aguardar mais estudos sobre o tema antes de tirar qualquer conclusão sobre a incidência do vírus meses antes da origem conhecida da pandemia, em dezembro.

“Todos estes resultados têm de ser avaliados com cautela. A própria característica do Sars-CoV-2 de induzir casos de bastante gravidade e letalidade relativamente alta na população torna improvável que este vírus circule em uma região sem evidência de casos clínicos.”

O que afirma a pesquisa liderada pela UFSC?

A equipe liderada por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) analisou seis amostras de 200ml de esgoto bruto congelado, coletadas em Florianópolis de 30 de outubro de 2019 a 4 de março de 2020.

No artigo, que ainda não foi analisado por revisores acadêmicos, os pesquisadores afirmam que a presença do vírus foi detectada a partir de 27 de novembro. Naquela amostra havia, segundo eles, 100 mil cópias de genoma do vírus por litro de esgoto, um décimo da identificada na amostra de 4 de março. Santa Catarina registraria oficialmente os dois primeiros casos em 12 de março, em Florianópolis.

Segundo os pesquisadores, o vírus foi identificado nas amostras de esgoto por meio do teste RT-PCR, capaz de detectar a presença do Sars-CoV-2 a partir de 24 horas após a contaminação do paciente. Esse teste, cuja sigla significa transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase, basicamente transforma o RNA (material genético) do vírus em DNA para identificar sua presença ou não na amostra examinada.

“Isso demonstra que o Sars-CoV-2 circulava na comunidade meses antes de o primeiro caso ser reportado” no continente americano, escrevem os autores do artigo.

A bióloga Gislaine Fongaro, líder da pesquisa e professora do departamento de microbiologia, imunologia e parasitologia da UFSC, afirmou que os primeiros resultados despertaram ceticismo na equipe. Por isso, acionaram outros departamentos da universidade a fim de rechecarem e repetirem todos os testes com diversos marcadores virais (para evitar que outros vírus parecidos confundissem a detecção, por exemplo).

Segundo ela, a presença do vírus meses antes do registro oficial pode ser explicada, por exemplo, pelo fato de que as pessoas podem ou não ter ficado doentes ou atribuído os sintomas a outras doenças. Mas, de acordo com Fongaro, apenas estudos futuros podem explicar como o vírus foi parar no esgoto de Florianópolis em novembro.

Um sequenciamento genético do vírus encontrado no esgoto poderia, por exemplo, ser comparado ao outros sequenciamentos feitos ao redor do mundo a fim de estimar a data de origem precisa do Sars-CoV-2 encontrado.

Quando a pandemia de fato começou?

A cronologia oficial da pandemia de Covid-19 tem mudado ao longo do tempo porque ainda há muito a ser descoberto sobre a doença, o modo como ela se espalha e, principalmente, sua origem. Não está claro ainda como e quando o vírus Sars-CoV-2 passou a infectar a espécie humana.

Há consenso entre cientistas de que o primeiro surto ocorreu em um mercado de Wuhan que vendia animais selvagens vivos e mortos. Mas pesquisadores não sabem se o vírus surgiu ali ou “se aproveitou” da aglomeração para se espalhar de uma pessoa para outra. “Se você me pergunta qual é a maior possibilidade, digo que o vírus veio de mercados que vendem animais selvagens”, afirmou Yuen Kwok-yung, microbiologista da Universidade de Hong Kong, à BBC.

As lacunas persistem. Os primeiros casos de Covid-19 foram reportados oficialmente no fim de dezembro, mas um estudo de médicos de Wuhan, publicado em janeiro pela revista médica The Lancet, descobriu posteriormente que o primeiro caso conhecido de Covid-19 em um humano havia ocorrido semanas antes. Trata-se de um idoso de Wuhan que não tinha nenhum vínculo com o mercado público.

A cronologia da pandemia no Brasil também pode mudar. O primeiro diagnóstico oficial no país ocorreu em 26 de fevereiro, um empresário de 61 anos de São Paulo que retornava de uma viagem à Itália, onde começava a surgir uma explosão de casos.

Mas análises feitas por pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam ao menos um caso de Sars-Cov-2 no Brasil um mês antes, entre 19 e 25 de janeiro. O vírus também teria circulado entre os habitantes do país um mês antes do que o governo federal estimava, segundo a instituição.

Para chegar a essas conclusões, a Fiocruz se baseou em dois pontos, principalmente. A análise retroativa de amostras coletadas de pacientes em meses anteriores e a comparação do número de pessoas com doenças respiratórias sem causa aparente em 2020 com anos anteriores.

Como então sanar essas lacunas? Há quem defenda investigações à moda antiga. “Esses surtos precisam ser investigados adequadamente com as pessoas in loco, um a um. Você precisa fazer o que John Snow fez. Você questiona as pessoas e começa a construir hipóteses que se encaixam nos fatos, e não o contrário”, defendeu o epidemiologista Tom Jefferson, ligado à Universidade de Oxford, em entrevista ao Telegraph.

O médico John Snow (1813-58) é considerado um dos fundadores da epidemiologia moderna ao sair a campo para investigar um surto de cólera em Londres em 1854 — a doença havia matado dezenas de milhares de pessoas na cidade nas duas décadas anteriores.

Ele não aceitava a teoria mais difundida à época, de que o contágio se dava pelo “ar podre e viciado”. Em sua célebre análise de dados, Snow entrevistou moradores, mapeou caso a caso de modo pioneiro e identificou que a causa do surto era na verdade uma fonte pública de água contaminada por dejetos. A descoberta gerou uma revolução nas investigações de espalhamento de doenças.

É possível haver contágio de Sars-CoV-2 por meio do esgoto?

A presença do novo coronavírus nas fezes levanta a possibilidade de contágio por meio do esgoto. Em 2003, durante a pandemia de outro vírus Sars-CoV, a infecção de centenas de moradores em um mesmo prédio de Hong Kong foi atribuída a vazamentos na tubulação de esgoto.

Na pandemia atual, ainda não há evidências de que isso tenha ocorrido ou de que o Sars-CoV-2 esteja viável para transmissão após ser excretado nas fezes. Tampouco há recomendações oficiais para usar água sanitária a fim de conter o contágio via esgoto, conforme tem circulado em grupos de WhatsApp. A contaminação ocorre basicamente por via respiratória.

Estudos apontam que o sistema de tratamento do esgoto é capaz de eliminar a presença do vírus, mas a precária situação sanitária de países como o Brasil pode levar ao despejo de uma enorme carga viral em rios sem tratamento adequado. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento de 2018, apenas 46% do esgoto gerado no país são tratados. A falta de saneamento no Brasil gera mais de 300 mil internações hospitalares por ano, mas ainda não é possível afirmar que a presença de coronavírus no esgoto represente um risco à saúde da população.

O Sars-CoV-2 pode aparecer nas fezes de até metade dos pacientes de Covid-19, entre eles, os que tiveram diarreia, sintoma reportado por 1 a cada 5 pacientes. Alguns estudos apontam que, em geral, o vírus aparece nas fezes cerca de uma semana depois dos sintomas e pode permanecer por mais cinco semanas após a recuperação.

Segundo pesquisadores, o método de monitorar a presença do vírus na rede de esgoto de uma cidade pode alertar a existência de um surto de sete a dez dias antes do registro oficial. Um dos pontos positivos dessa abordagem é monitorar também pacientes sem sintomas ou que não foram testados.

Em Belo Horizonte, por exemplo, um projeto-piloto da Agência Nacional de Águas (ANA) analisa amostras de esgoto e aponta que o número de infectados pode ser 20 vezes maior que o de casos confirmados oficialmente.

O que mais dá para analisar no esgoto?

A carreira de “epidemiologista de águas residuais”, que se disseminou nas últimas duas décadas ao redor do mundo, está em expansão nos últimos anos.

Uma das principais funções desse profissional é descobrir, por exemplo, como o nível do uso de drogas ilegais calculado em abordagens tradicionais, como questionários, pode ser comparado com as evidências mais diretas encontradas nos sistemas de esgoto. E assim apontar subnotificações, entre outras informações.

A técnica não mira indivíduos, mas informações sobre localidades, o que poderia alertar autoridades sobre a eficiência de campanhas e serviços de saúde pública em uma determinada região, bem como se estão empregando os recursos policiais adequadamente.

Além do consumo de drogas, essa análise de partículas em esgotos pode servir para análise de hábitos ligados a alimentos e remédios.

Um laboratório da Universidade de Queensland, na Austrália, por exemplo, realizou coletas em estações de tratamento de esgoto de todo o país a fim de analisar hábitos alimentares e de consumo de medicamentos de diferentes comunidades.

E o resultado? Em linhas gerais, os pesquisadores descobriram que, quanto mais rica a comunidade, mais saudável é sua dieta. Nos estratos socioeconômicos mais altos, o consumo de fibras, cítricos e cafeína era maior. Nos mais baixos, medicamentos prescritos apresentaram uso significativo.

Por outro lado, o uso de antibióticos é distribuído de maneira bastante uniforme entre diferentes grupos socioeconômicos, indicando que o sistema de saúde subsidiado pelo governo está fazendo seu trabalho.

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