novos tratamentos câncer de próstata

CFM autoriza novos tratamentos para câncer de próstata; saiba o que muda

Magnific

O Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou o uso de duas novas opções de tratamento para câncer de próstata no Brasil: o ultrassom focado de alta intensidade (HIFU) e a crioablação. A decisão foi publicada por meio de resolução no Diário Oficial da União (DOU) e traz uma alternativa terapêutica focada para combater o tumor maligno, preservando ao máximo a qualidade de vida do paciente.

O grande objetivo da regulamentação das chamadas terapias focais é diminuir de forma drástica os efeitos colaterais comuns das abordagens tradicionais. As novas técnicas atuam diretamente nas células tumorais, poupando os tecidos saudáveis ao redor da próstata. Embora não substituam as condutas padrão na maioria dos casos, elas passam a figurar como um importante avanço na oncologia e urologia do país.

Quais são os novos tratamentos para o câncer de próstata autorizados pelo CFM?

As duas técnicas liberadas pelo Conselho Federal de Medicina baseiam-se em tecnologias avançadas guiadas por exames de imagem em tempo real:

  1. Ultrassom Focado de Alta Intensidade (HIFU): utiliza ondas de calor de alta intensidade concentradas diretamente no tumor para destruir as células cancerígenas por meio do aquecimento térmico.

  2. Crioablação Prostatica: funciona pelo princípio oposto. Agulhas específicas são inseridas na glândula para congelar o tecido tumoral a temperaturas extremamente baixas, provocando a morte celular do câncer.

“É uma técnica menos invasiva, capaz de controlar ou até curar o câncer, com menos impactos negativos na qualidade de vida, especialmente em relação às funções sexual e urinária”, explica o urologista José Elêrton Secioso de Aboim, relator da norma no CFM.

Benefícios: menos efeitos colaterais e preservação da função sexual

A principal vantagem da terapia focal frente aos procedimentos convencionais (como a cirurgia de remoção total da próstata e a radioterapia) é a redução de sequelas graves. O tratamento direcionado reduz consideravelmente os riscos de:

  • Incontinência urinária (perda involuntária de urina);

  • Disfunção erétil (impotência sexual);

  • Ausência de ejaculação.

Quem pode fazer as novas terapias?

As novas abordagens não são indicadas para todos os pacientes e possuem critérios estritos de elegibilidade. O CFM determinou que os procedimentos são voltados para:

  • Pacientes com câncer de próstata de risco intermediário favorável;

  • Tumores obrigatoriamente unifocais (uma única lesão) e unilaterais (localizados em apenas um lado da glândula);

  • Pacientes que passaram previamente por tratamento de radioterapia externa ou braquiterapia.

Casos excepcionais

Indivíduos com diagnóstico de baixo risco, mas que apresentem lesões volumosas ou que tenham baixa aderência ao protocolo de vigilância ativa (quando o tumor é apenas monitorado periodicamente), também poderão ser avaliados para receber o HIFU ou a crioablação.

Quem NÃO pode realizar

Homens com câncer de próstata classificados como de risco intermediário desfavorável, alto ou muito alto não se enquadram nos critérios e devem seguir os tratamentos padrão-ouro convencionais.

Protocolo de acompanhamento pós-tratamento

A resolução do CFM também estabelece critérios rígidos de monitoramento para garantir o sucesso da intervenção e rastrear possíveis recidivas:

  • Primeiros 2 anos: avaliações médicas e exames a cada seis meses.

  • A partir do 3º ano: acompanhamento clínico anual.

  • Exames obrigatórios: realização de uma biópsia prostática randômica e sistemática entre o sexto e o décimo segundo mês após o procedimento para certificar a eliminação completa das células tumorais.

Por fim, o CFM ressalta que outras modalidades de terapia focal, tais como a eletroporação irreversível, ablação a laser focal e terapia fotodinâmica, continuam classificadas como experimentais ou investigacionais e só podem ser realizadas dentro de protocolos de pesquisa científica validados pelo sistema CEP/Conep.

Compartilhar notícia