O futuro financeiro do Distrito Federal e o papel da sua principal instituição bancária pública têm gerado debates acalorados, especialmente na reta final do cenário eleitoral. Diante de intensas especulações recentes, a governadora do Distrito Federal e candidata à reeleição, Celina Leão (PP), foi categórica: a privatização do Banco de Brasília (BRB) está “completamente descartada”.
A declaração ocorreu nesta terça-feira (6), após um encontro de articulação política com os candidatos da coligação Propósito e Ação, no Centro de Convenções Ulysses. O pronunciamento serve como uma resposta direta aos boatos recentes de que o Governo do Distrito Federal (GDF) estaria em busca de uma instituição financeira para avaliar o valor de mercado do banco estatal, visando uma futura venda. A governadora classificou o boato estruturado como uma clara tentativa de desestabilização e chamou a informação de “fake news”.
A busca por investimentos e o foco internacional
Para assegurar a saúde financeira e a liquidez do Banco de Brasília sem abrir mão do controle do Estado, Celina Leão esclareceu que o planejamento caminha por vias diferentes da desestatização. O objetivo estratégico atual é viabilizar o acesso a financiamentos internacionais, rompendo a necessidade de se limitar a sindicatos de bancos locais.
Uma amostra dessa articulação foi exposta ainda em setembro de 2026, quando a governadora esteve reunida com grandes investidores dos Emirados Árabes Unidos. Segundo a gestão pública, há um interesse real em atrair aportes estrangeiros direcionados à completa recuperação e expansão do banco candango.
“A população tem mantido a liquidez, e as pessoas que acreditam no BRB sabem que nós vamos tirar o banco dessa situação. O banco está firme”, declarou a governadora, emitindo um sinal verde de estabilidade para clientes, servidores da instituição e o mercado financeiro brasiliense.
O impacto político e a confusão nas urnas
É fundamental ler a pauta econômica de Celina Leão sob a ótica da atual efervescência democrática das Eleições 2026. A declaração em defesa do BRB chega em um momento onde o capital político da governadora está altíssimo, embora tenha esbarrado em um imprevisto técnico: ela não foi matematicamente reeleita no primeiro turno por uma diferença de apenas 168 votos — recebendo expressivos 825.530 votos totais de confiança.
O cenário curioso e que estendeu o pleito distrital se deu por uma confusão técnica do eleitorado. Conforme os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 26 mil brasilienses acabaram anulando seus votos para o Palácio do Buriti ao digitarem “22” na urna eletrônica. O número é o do PL, partido que abriga aliados regionais da governadora — como o candidato presidencial Flávio Bolsonaro —, mas que não possuía candidato próprio ao GDF. Celina enfatizou aos eleitores de que, em meio às campanhas alinhadas com a direita e o centro, é necessário focar no aspecto pedagógico e lembrar de registrar o número “11”.
Reafirmando o perfil de responsabilidade administrativa para atrair os eleitores que se abstiveram ou os considerados de “centro”, a base distrital optou por ancorar sua campanha no controle de gastos, política econômica severa de diminuição de juros e preservação do poder de compra do brasileiro. Assim, no que tange o seu principal ativo econômico direto, a manutenção do caráter público do BRB não é apenas um compromisso verbal de campanha, mas se solidifica como uma das diretrizes essenciais do modelo econômico adotado pela gestão nos próximos anos no Distrito Federal.

