Cardiologista desvenda cinco mitos sobre a reposição de testosterona em homens

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Em meio às ações do Setembro Vermelho, mês dedicado à conscientização sobre a prevenção e os cuidados com a saúde do coração, um tema que desperta cada vez mais atenção entre os homens também merece olhar médico criterioso: a reposição de testosterona. A procura pelo tratamento tem crescido nos últimos anos, impulsionada por promessas de aumento da disposição, melhora da performance física e retardamento do envelhecimento masculino. No entanto, especialistas alertam que a reposição está longe de ser uma solução para qualquer homem acima dos 40 anos e que sua indicação deve ser baseada em diagnóstico e acompanhamento médico.

Segundo o cardiologista Fernando Rangel, do Hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do Brasil, a reposição hormonal é recomendada exclusivamente para homens com hipogonadismo confirmado, condição caracterizada por sintomas compatíveis associados a níveis persistentemente baixos de testosterona.

“A redução natural da testosterona decorrente do envelhecimento não significa, por si só, que o homem precise de tratamento. É fundamental confirmar o diagnóstico e investigar as causas antes de iniciar qualquer reposição”, explica.

O tema também ganhou novos dados no campo da cardiologia. O estudo internacional TRAVERSE, publicado pelo New England Journal of Medicine em 2023, acompanhou mais de 5 mil homens entre 45 e 80 anos com hipogonadismo e doença cardiovascular ou alto risco cardiovascular. Os resultados mostraram que a reposição de testosterona não aumentou o risco do conjunto de morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC em comparação com placebo. Por outro lado, houve maior incidência de fibrilação atrial, embolia pulmonar e lesão renal aguda entre os participantes que receberam testosterona, reforçando a necessidade de seleção criteriosa dos pacientes e acompanhamento médico durante o tratamento.

O especialista esclarece os principais mitos sobre o tema:

Todo homem acima dos 40 anos precisa de reposição de testosterona

Mito. A testosterona sofre uma queda fisiológica de aproximadamente 1% ao ano a partir dos 30 anos de idade, mas isso não justifica o tratamento automaticamente. A reposição só é indicada quando há sintomas característicos de deficiência hormonal e níveis de testosterona total inferiores a 300 ng/dL, confirmados em pelo menos dois exames de sangue.

A reposição de testosterona aumenta o risco de infarto e AVC

Parcialmente mito. Durante muitos anos, existiu preocupação quanto ao risco cardiovascular da terapia hormonal. Evidências mais recentes indicam que, em homens adequadamente selecionados com hipogonadismo, a reposição não aumenta o risco de eventos cardiovasculares maiores, como morte cardiovascular, infarto não fatal ou AVC.

Ainda assim, o tratamento não é isento de riscos e exige avaliação individualizada e acompanhamento médico, especialmente em pacientes com histórico ou fatores de risco cardiovascular.

A testosterona aumenta a massa muscular em qualquer homem

Mito. Embora tenha efeito anabólico comprovado, os benefícios sobre a massa muscular e a força são observados principalmente em homens com deficiência hormonal comprovada.

O uso em indivíduos com níveis normais de testosterona para fins estéticos ou esportivos não possui indicação médica e é considerado abuso, podendo causar efeitos adversos importantes.

A reposição de testosterona causa câncer de próstata

Mito. As evidências científicas disponíveis não demonstram aumento do risco de câncer de próstata em homens adequadamente selecionados para terapia hormonal. Ainda assim, o tratamento exige avaliação prévia da próstata e monitoramento periódico do PSA, já que homens com câncer de próstata ou suspeita da doença não devem receber reposição.

Cansaço e falta de energia já são suficientes para indicar a testosterona

Mito. Fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e desânimo são sintomas inespecíficos e podem estar relacionados a diversas doenças ou até ao estilo de vida.

Os sintomas que apresentam associação mais consistente com deficiência de testosterona são diminuição da libido, redução das ereções espontâneas, disfunção erétil, infertilidade, perda de pelos corporais, anemia sem causa aparente e osteoporose.

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