O mercado financeiro internacional amanheceu operando sob forte volatilidade e apreensão. Uma nova sequência de investidas militares envolvendo Israel e o Irã quebrou a trégua na região, impactando diretamente o fornecimento global de energia. Os contratos futuros do petróleo bruto (WTI e Brent) registraram alta superior a 3%, com o barril do tipo WTI ultrapassando a barreira dos US$ 93.
A instabilidade ganhou contornos críticos após forças israelenses atingirem um importante complexo petroquímico na cidade de Mahshahr, localizada no sudoeste do Irã, além de outras posições militares estratégicas. A ofensiva ocorreu poucas horas após o Irã disparar uma série de mísseis balísticos em direção ao território de Israel. O comando militar israelense informou que todos os projéteis foram interceptados com sucesso pelo sistema de defesa e que não houve registro de vítimas fatais.
Pressão diplomática e o Estreito de Ormuz
O aumento da hostilidade ocorre em um cenário diplomático complexo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vinha exercendo forte pressão de bastidores sobre o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, recomendando que o país se abstivesse de contra-ataques a instalações energéticas para preservar as tratativas de paz conduzidas por Washington. Em pronunciamento oficial, a liderança norte-americana sinalizou que os novos atritos não devem interromper os esforços diplomáticos com Teerã, enfatizando a busca por um cessar-fogo duradouro também na frente de combate no Líbano.
Especialistas em geopolítica e macroeconomia alertam que a maior ameaça ao comércio global reside no fechamento quase total do Estreito de Ormuz. A rota marítima é o principal canal de escoamento do petróleo extraído no Golfo Pérsico. Caso o bloqueio e os bombardeios a refinarias persistam, o reflexo inflacionário atingirá em efeito cascata as cadeias de transporte, a produção de alimentos e o preço final dos combustíveis na Europa e nas Américas.
Mesmo com a decisão recente da OPEP+ de autorizar um acréscimo de 188 mil barris diários nas cotas de produção para o próximo mês, analistas de risco avaliam que o volume é insuficiente para conter o viés de alta se a infraestrutura de extração for severamente comprometida.
