Água é tema de ação de ONG na Virada do Cerrado

O Distrito Federal abriga nascentes de importantes bacias hidrográficas — Prata, Araguaia-Tocantins e São Francisco. É aqui também que será realizado, em 2018, o 8º Fórum Mundial da Água — maior evento do planeta sobre o tema. No entanto, bem antes dele, vários setores da sociedade e do governo já pensam sobre a questão dos recursos hídricos. Um exemplo é o Instituto de Permacultura: Organização, Ecovilas e Meio Ambiente (Ipoema), organização não governamental (ONG) que executa, desde fevereiro de 2014, o projeto Águas do Cerrado — O Futuro em Nossas Mãos.

“Ficamos superfelizes porque, quando o Águas do Cerrado estava no início, Brasília foi escolhida para ser a sede”, diz Cláudio Jacintho, coordenador-geral do projeto e sócio-fundador da Ipoema, sobre a escolha da capital para receber o fórum.

Com dois anos de duração, a iniciativa envolve ações em duas frentes: educação ambiental e recuperação de áreas — ambas por meio de tecnologias de permacultura (prática que utiliza métodos sustentáveis em atividades do dia a dia). A primeira ocorre em escolas públicas e, além de sensibilizar e capacitar os estudantes, inclui a implementação de infraestruturas ecológicas, como sistemas de captação de água da chuva e de tratamento de esgoto. A segunda engloba o plantio de mudas do Cerrado, cultivadas na ONG, em áreas degradadas na Bacia do Rio São Bartolomeu e no Jardim Botânico de Brasília.

“As florestas são as grandes responsáveis pela manutenção do ciclo das águas no interior do continente”, reforça Jacintho. “Quando se fala de recuperação de área degradada, a gente está falando também de manutenção da oferta e da qualidade de água.”

Um resumo desse projeto de preservação será levado pelo Ipoema para a Virada do Cerrado — Cidadania e Sustentabilidade. O evento, de 11 a 13 de setembro, para celebrar a Semana do Cerrado, contará com dezenas de ações de mobilização social, responsabilidade socioambiental e entretenimento. É resultado do trabalho colaborativo de órgãos dos governos federal e de Brasília e de organizações da sociedade.

Tenda geodésica
A programação da ONG estará concentrada no Complexo Cultural da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Ali será montado o Espaço Águas do Cerrado, em uma tenda geodésica — estrutura com formato de metade de uma esfera que, por aplicação geométrica, pode ter diversos tamanhos — de 300 metros quadrados feita com bambu.

Entre as atividades gratuitas haverá oficinas, como a de tintas naturais. “Vamos demonstrar uma forma de fazer tintas com pigmentos naturais e à base de produtos atóxicos”, explica Cláudio. Outra opção será a de mosaico de sementes — segundo ele, uma forma de valorizar a biodiversidade por meio da promoção da arte. Também será possível aprender a fazer minhocários caseiros, que permitem transformar o material orgânico, como resto de alimento, em adubo.

A ONG promoverá ainda o Cine Cerrado, com exibições como os episódios da websérie No Correr das Águas, que aborda temáticas relacionadas ao cuidado com a água e com o meio ambiente. Palestras e apresentações culturais e musicais relacionadas ao tema completam a programação.

Inspiração paulista
A mobilização pela defesa do Cerrado deu origem ao nome do evento. No começo do ano, pensava-se em Virada Socioambiental e Virada Sustentável — este último é um evento realizado em São Paulo desde 2011 que inspirou a ação em Brasília.

O Dia Nacional do Cerrado é comemorado em 11 de setembro e a Lei nº 4.939, de 2012, instituiu a Semana do Cerrado e a incluiu no calendário oficial de eventos do DF.

Virada do Cerrado
De 11 a 13 de setembro
Acesse a programação.

Fonte: Agência Brasília

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