Novo estudo sugere 10 horas de exercício semanal para proteger o coração

Estudo sugere 10h de exercício semanal para proteger o coração

Magnific

A recomendação tradicional da Organização Mundial da Saúde (OMS) estipula um mínimo de 150 minutos de exercício físico por semana para manter o organismo saudável. No entanto, um novo e polêmico estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade Politécnica de Macau sugere que este tempo pode ser manifestamente insuficiente para garantir uma proteção ideal do coração. De acordo com a pesquisa, o ideal será praticar cerca de 10 horas de atividade física semanal — quase quatro vezes mais do que as metas globais atuais.

O estudo, publicado na prestigiada revista científica British Journal of Sports Medicine (BJSM/BMJ), defende que para alcançar benefícios verdadeiramente significativos para a saúde do coração, a meta diária deve ser revista em alta, situando-se entre os 560 e os 610 minutos de exercício moderado a vigoroso por semana.

Quantidade ideal de exercício físico e o impacto no risco cardiovascular

Os cientistas analisaram minuciosamente os dados de 17.088 participantes do UK Biobank, recolhidos. A amostra, com uma média de idades de 57 anos (composta por 56% de mulheres), foi monitorizada ao longo de cerca de 7,8 anos para registar a ocorrência de eventos cardiovasculares graves. Fatores de estilo de vida, como o consumo de tabaco e álcool, o índice de massa corporal (IMC), a frequência cardíaca em repouso e a pressão arterial, foram todos devidamente ponderados.

Os resultados revelaram uma correlação direta entre o volume de exercício e os benefícios para o coração:

  • 150 minutos semanais (meta da OMS): cumprir a recomendação básica resultou numa redução de apenas 9% no risco cardiovascular.

  • 560 a 610 minutos semanais (cerca de 10 horas): atingir este patamar promoveu uma redução “substancial” superior a 30% na probabilidade de contrair problemas cardíacos. Contudo, apenas 12% dos voluntários analisados conseguiram alcançar este nível de atividade física.

Sedentários precisam de esforço extra para combater riscos

Uma das conclusões mais relevantes da pesquisa prende-se com o impacto do sedentarismo. O estudo demonstra que indivíduos com estilos de vida marcadamente sedentários necessitam de praticar entre 30 a 50 minutos adicionais de exercício por semana, em comparação com aqueles que já mantêm uma rotina ativa, apenas para obterem os mesmos benefícios de proteção básica.

“Os achados sublinham o desafio ainda maior enfrentado pelas populações sedentárias”, alertaram os autores do estudo em comunicado oficial, reforçando a urgência de combater a inatividade física de forma progressiva mas ambiciosa.

Limitações da investigação e o futuro das diretrizes de saúde

Apesar do forte impacto dos dados, a comunidade científica apela à cautela na interpretação dos resultados. Por se tratar de um estudo observacional, a pesquisa estabelece uma forte associação entre o volume de exercício e a diminuição do risco cardíaco, mas não comprova uma relação direta de causa e efeito.

Além disso, os pesquisadores reconhecem algumas limitações: a aptidão cardiorrespiratória dos voluntários foi estimada através de testes de ciclismo e o tempo total de sedentarismo absoluto ou de atividades de baixa intensidade não foi medido com total precisão.

Ainda assim, os autores concluem que, embora os 150 minutos recomendados continuem a ser válidos como um patamar mínimo de segurança, as diretrizes médicas futuras deverão começar a diferenciar as metas com base no perfil físico de cada indivíduo. O objetivo será distinguir claramente o volume mínimo necessário para a sobrevivência básica e os volumes substancialmente mais elevados exigidos para uma saúde cardiovascular otimizada.

Compartilhar notícia