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Câncer de pâncreas
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Silencioso

Câncer de pâncreas: médico alerta para doença que atinge principalmente idosos

O câncer de pâncreas, lembrado durante o Novembro Roxo, é reconhecido por sua natureza geralmente agressiva e por ser uma doença “silenciosa”, o que frequentemente leva o paciente a um diagnóstico tardio. Essas características contribuem para que seja um dos cânceres com a maior taxa de mortalidade no Brasil, segundo o INCA. As estimativas indicam cerca de 10.980 novos casos anuais no país entre 2023 e 2025, com maior incidência em pessoas acima de 65 anos. Os principais fatores de risco associados incluem idade avançada, genética, obesidade, diabetes e o hábito de fumar.

O cirurgião Eduardo Ramos, do Centro de Cirurgia, Gastroenterologia e Hepatologia (Cighep), localizado no Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), alerta que a detecção em estágios iniciais, seguida pelo tratamento apropriado, oferece chances reais de cura e de manutenção de uma boa qualidade de vida, exigindo monitoramento constante.

O câncer de pâncreas pode surgir de diferentes tipos de células, sendo o mais comum o adenocarcinoma ductal, responsável pela maioria dos casos e considerado o mais agressivo. Também existem os tumores neuroendócrinos, menos frequentes e geralmente menos agressivos, além de tipos raros como os tumores císticos malignos, o carcinoma de células acinares e outros tumores incomuns. Cada um apresenta características próprias de crescimento, sintomas e evolução.

“Quando o tumor surge na cauda ou no corpo do pâncreas, ele costuma crescer silenciosamente. Isso acontece porque essas regiões não comprimem estruturas que causem sintomas cedo. Assim, os sinais da doença só aparecem quando o tumor já está grande, e por isso muitos casos são descobertos em fases mais avançadas”, conta o doutor Eduardo.

Já os tumores que se desenvolvem na cabeça do pâncreas tendem a dar sintomas mais precoces. O motivo é a proximidade com o canal biliar, o ducto que transporta a bile produzida pelo fígado. A bile é um líquido produzido pelo fígado e armazenado na vesícula biliar. Ela ajuda na digestão das gorduras, funcionando como uma espécie de “detergente” que quebra e emulsifica a gordura dos alimentos para que o intestino consiga absorvê-la melhor. Quando um tumor nessa área comprime ou obstrui esse canal, a bile deixa de circular normalmente.

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“Com a bile acumulada no fígado, o paciente começa a apresentar icterícia, ficando com a pele e os olhos amarelados. Infelizmente quando o paciente apresenta perda de peso ou dor abdominal, muitas vezes já é avançado”, diz o especialista.

As sociedades médicas recomendam rastrear o câncer de pâncreas em pessoas de alto risco, como familiares de primeiro grau ou portadores de mutações genéticas específicas. O rastreamento costuma começar entre 40 e 50 anos, ou 10 anos antes do caso familiar, usando ressonância magnética (MRCP) e ultrassonografia endoscópica (EUS), geralmente repetidas anualmente; intervalos menores são usados quando há achados suspeitos. Ele deve ser feito em centros especializados e pode ser interrompido quando não há mais benefício clínico esperado.

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